Evento ‘O campo que nos move’, realizado em São Paulo, reúne vivências, mesas temáticas especializadas e apresentações acadêmicas que celebram dois anos da instituição e marcam início de novo ciclo diretivo. Presidente Dagmar Ramos defende continuidade do diálogo, da cooperação e da construção coletiva. “A excelência não é um lugar, é um movimento”, afirma vice-presidente Ricardo Mendes

O Centro de Excelência em Constelações Sistêmicas (CECS) realizou, nos dias 30 e 31 de janeiro, na Faculdade Rudolf Steiner, em São Paulo, o Encontro Nacional de Celebração ‘CECS – O campo que nos move: 2 anos de história, com ciência e expansão’. A iniciativa marcou o segundo aniversário da instituição.

Durante os dois dias, os participantes vivenciaram uma programação plural, profunda e estruturada em torno de quatro pilares centrais: história, formação, espiritualidade e futuro. O encontro se consolidou como um marco institucional, ao articular a trajetória do CECS com os desafios contemporâneos das Constelações Sistêmicas no país.

O primeiro dia foi guiado pelo tema “O caminho percorrido: história, experiência e pertencimento”. A cerimônia de abertura foi conduzida pela presidente do Centro de Excelência em Constelações Sistêmicas (CECS), médica e psicoterapeuta Dagmar Ramos, ao lado do vice-presidente e diretor de Relações Internacionais, Ricardo Mendes.

Ancoramento da ancestralidade: reverência, elementos e abertura de campo

A atriz, escritora e diretora de comunicação Ingra Lyberato, ao lado das diretoras Roseny Flávia, Rosângela Ferreira e Agnes Manso, conduziu um rito de ancoramento vinculado à sabedoria ancestral e ao reconhecimento da sacralidade da presença coletiva. A cerimônia foi marcada por um gesto de escuta e reverência, em que os quatro elementos da natureza — fogo, água, terra e ar — foram invocados como forças vivas, presentes e atuantes no campo simbólico e energético do encontro.

O ancoramento consistiu na criação de um espaço em que símbolos da ancestralidade foram plantados, como forma de honrar os que vieram antes e estabelecer uma conexão legítima com o lugar em que o encontro ia se desenvolver. Os elementos da natureza, dispostos no ambiente, operaram não apenas como representações, mas como presenças vivas, coparticipantes do processo. Fogo como transformação e impulso vital; água como fluidez e memória; terra como raiz, sustento e corpo; e ar como sopro, palavra e espírito.

Esse gesto de ancorar a ancestralidade — mais do que uma abertura cerimonial — estabeleceu uma fundação energética para todo o encontro. O campo foi aberto com escuta e cuidado, ao criar uma atmosfera de presença, respeito e comunhão.

Ao pedir licença e reverenciar o espaço, o grupo reconheceu que o território habitado carrega memórias, histórias e sabedorias que antecedem o agora e que, ao serem evocadas, colaboram com os movimentos do presente.

O ancoramento, portanto, constituiu um chamado à consciência coletiva, à verticalidade do tempo e à escuta das vozes silenciosas que habitam os territórios visíveis e invisíveis da experiência. Nele, instaurou-se uma ética da presença sustentada pela luz: luz que revela, ilumina e consagra.

World Café Sistêmico Fenomenológico marca início das atividades do Encontro Nacional de Celebração

Na sequência, a presidente do CECS, Dagmar Ramos conduziu um World Café Sistêmico Fenomenológico, que marcou simbolicamente o início das atividades do Encontro Nacional de Celebração. A proposta metodológica, inspirada em práticas colaborativas e dialógicas, foi adaptada ao campo das Constelações, com o objetivo de proporcionar uma experiência imersiva na trajetória da abordagem ao longo das últimas décadas.

A dinâmica foi estruturada como uma linha do tempo em seis estações, representadas por mesas temáticas, pelas quais os participantes circularam de forma rotativa, em silêncio, abrindo-se à percepção sensível dos campos de informação presentes em cada fase da história.

A primeira mesa representava Bert Hellinger e o momento criativo da gênese das Constelações nos anos 1980, na Alemanha. A segunda abordava a expansão internacional da abordagem, o que inclui mestres e movimentos que acompanharam a trajetória do psicoterapeuta alemão.

Na terceira mesa, o foco foi o enraizamento das Constelações nas diversas áreas de aplicação: saúde, educação, arte, judiciário e organizações. A quarta mesa simbolizou os ciclos de resistência e enfrentamento, com representação dos ataques institucionais e midiáticos às Constelações no Brasil, especialmente no contexto das práticas integrativas e complementares.

A quinta estação retratou a gênese do CECS e do movimento Sou da Constelação, a formação identitária e política da abordagem no país. Por fim, a sexta mesa abordou o “Upcoming Future”, expressão adotada para designar o futuro imediato das Constelações no Brasil e no mundo, em sua interface com desafios sociais, éticos e epistêmicos.

A atividade integrou os participantes desde o início do encontro em uma experiência coletiva de presença, memória e escuta do campo, ao promover não apenas uma revisão histórica, mas também a ampliação da consciência sobre os movimentos passados, presentes e futuros que atravessam o fenômeno das Constelações Sistêmicas.

Alzira Cristina aborda o tema “Lugar do Terapeuta Sistêmico: Ética, Postura e Movimento Interno”

Durante o Encontro Nacional de Celebração ‘CECS – O campo que nos move: 2 anos de história, com ciência e expansão’, a psicóloga clínica e professora universitária Alzira Cristina apresentou uma exposição de caráter técnico e reflexivo sobre o tema “Lugar do Terapeuta Sistêmico: Ética, Postura e Movimento Interno”.

Diretora de Ética do CECS, a palestrante destacou a ética como eixo estruturante da prática sistêmica e condição indispensável para a legitimidade, a segurança e a credibilidade das Constelações Sistêmicas.

Alzira afirmou que a ética não se reduz a normas punitivas ou restritivas, mas constitui um campo de consciência que convoca o profissional a olhar para si, para a própria formação e para os limites da atuação terapêutica. Segundo ela, a dificuldade em tratar do tema decorre do fato de que a ética exige autorreflexão permanente e confronto com valores pessoais, culturais e institucionais.

Alzira Cristina destacou que críticas dirigidas à abordagem no Brasil tiveram origem, sobretudo, em posturas, falas e condutas adotadas por alguns consteladores, em grande parte associadas à ausência de uma formação consistente.

Para ela, atuar como constelador implica responsabilidade equivalente à de outras profissões da saúde, uma vez que se lida diretamente com sistemas familiares, sofrimento humano e campos sensíveis. Defendeu que cursos superficiais, formações aceleradas e ausência de supervisão comprometem a prática e expõem clientes a riscos.

Outro ponto central da exposição foi o reconhecimento do campo da constelação como um espaço sagrado, que exige postura ética, respeito e preparo emocional do facilitador. Alzira enfatizou que não cabe ao constelador prometer cura, induzir dependência emocional, expor histórias de clientes ou ultrapassar fronteiras pessoais e simbólicas. A autonomia do cliente foi apresentada como princípio ético fundamental.

Código de Conduta Ética do CECS

Alzira apresentou o processo coletivo e cuidadoso de construção do Código de Conduta Ética do CECS, elaborado a partir de estudos, debates semanais e diálogo com referenciais internacionais. O documento, segundo ela, foi concebido para proteger clientes, profissionais e a própria abordagem sistêmica, ao oferecer parâmetros claros de atuação, formação, transparência, sigilo e responsabilidade institucional.

Ao encerrar, a diretora destacou que a ética organiza, sustenta e orienta o movimento sistêmico. Para ela, o lugar do terapeuta sistêmico exige equilíbrio emocional, trabalho pessoal contínuo, respeito às crenças e valores do outro e compromisso com o aprendizado permanente.

“Sem ética, a ajuda ultrapassa o limite e se transforma em invasão”, afirmou, ao convocar os associados a assumirem coletivamente a responsabilidade pela consolidação das Constelações Sistêmicas no Brasil.

Maristela de André conduz vivência “O corpo em ressonância com o campo”

No primeiro dia do Encontro Nacional de Celebração do CECS, a psicoterapeuta corporal Maristela de André conduziu a vivência intitulada “O corpo em ressonância com o campo”. Com formação em psicodrama, bioenergética, Constelações Sistêmicas e Movimento Vital Expressivo pelo Instituto Rio Abierto Internacional, Maristela é referência no Brasil em abordagens psicocorporais aplicadas ao trabalho sistêmico.

Em sua fala introdutória, Maristela destacou que a prática fenomenológica exige do constelador não apenas escuta mental ou técnica, mas uma presença incorporada, sensível e vibratória.

“O constelador não faz, ele ouve. Ele e o cliente são ouvintes do campo. Ambos se encontram no mesmo lugar interior onde a resposta já habita”, destaca. Segundo ela, acessar esse estado exige ativar a consciência corporal, distinguir emoções com clareza e saber transitar entre diferentes estados internos com fluidez.

A prática proposta baseou-se na mobilização do campo áurico, conceito desenvolvido pela escritora Barbara Brennan, uma das agentes de cura e líderes espirituais mais influentes do século XXI, que compreende diferentes níveis de frequência vibratória no corpo humano.

Cada nível — físico, emocional, mental, afetivo e intuitivo — foi trabalhado por meio de movimentos específicos, com o objetivo de elevar a carga vital, despertar a percepção sensorial e acessar estados ampliados de consciência.

“Sem energia vital, não há escolha consciente. A energia sustenta o livre-arbítrio e o desejo de transformação”, explicou Maristela.

Ela reforçou que, ao realizar a mobilização energética, todos os presentes se tornam participantes do processo terapêutico.

“O campo é grupal. Mesmo quando uma pessoa constela, todos recebem algo”, pontua. O trabalho corporal, para ela, é o que permite que esse movimento seja ético, consciente e sintonizado com a totalidade.

A estrutura teórica da vivência integra conceitos da psicologia corporal, da física energética e da fenomenologia sistêmica.

Maristela abordou os diferentes “corpos vibratórios” descritos por Brennan e associados à tradição do Instituto Rio Abierto: desde o corpo físico e emocional até os campos superiores, nos quais se manifesta a fala transformadora, o amor compassivo e a consciência unificada.

“É nesse estado que a constelação deixa de ser uma técnica e se torna um movimento de alma”, concluiu Maristela.

Ciência e espiritualidade em diálogo: a construção do conhecimento sistêmico

Durante o Encontro Nacional de Celebração promovido pelo CECS, o painel “Ciência e Espiritualidade” teve como eixo inicial a apresentação da diretora Científica da instituição, Roseny Flávia Martins, pesquisadora PhD há 22 anos, especialista em saúde da mulher e violência doméstica. O tema central foi a consolidação de uma base científica para as Constelações Familiares e Sistêmicas.

Roseny apresentou o projeto de levantamento e organização do acervo bibliográfico e documental sobre Constelações Sistêmicas, iniciado em 2024. A partir de três palavras-chave — Constelação Familiar, Constelação Sistêmica e Bert Hellinger —, a equipe mapeou 652 referências, entre livros, capítulos, artigos, dissertações, vídeos e textos institucionais. Todo o material encontra-se sistematizado e acessível aos associados do CECS.

A diretora destacou que as evidências compiladas apontam para uma abrangência das Constelações além da clínica: “A abordagem atua como uma ciência social aplicada, com impacto em organizações, sistemas judiciais e movimentos comunitários.” Ela enfatizou que, embora ainda haja poucos ensaios clínicos com rigor metodológico, não existe, até o momento, nenhuma evidência científica que invalide os fundamentos das Constelações.

Um dos marcos do painel foi a apresentação do Mapa de Evidências Científicas sobre a Efetividade Clínica da Constelação Familiar e Sistêmica, publicado em dezembro de 2024 pelo Consórcio Acadêmico Brasileiro de Saúde Integrativa (Cabsin), em parceria com Centro Latino-Americano e do Caribe de Informação em Ciências da Saúde (Bireme)/Organização Pan-Americana da Saúde (Opas)/Organização Mundial da Saúde (OMS).

Coordenado pelos cientistas José Miguel de Deus, médico ginecologista, professor titular da Faculdade de Medicina da UFG e Vânia Meira e Siqueira Campos, médica anestesiologista, mestre e doutora em Ciências da Saúde, dentre mais de 8 mil publicações analisadas, 16 estudos apresentaram alta qualidade metodológica, com resultados positivos especialmente no campo da saúde mental e na dinâmica dos sistemas sociais.

Ela também citou a ampliação do Comitê de Constelações Familiares e Sistêmicas do Cabsin, em agosto de 2025.

“Temos semente, temos solo. Agora é tempo de germinar”

Roseny Flávia contextualizou o lugar da ciência dentro de uma perspectiva ampliada, crítica ao reducionismo: “A ciência tem apenas 500 anos. Já os saberes simbólicos e rituais carregam mais de 120 mil anos de transmissão.” Segundo ela, a construção científica das Constelações passa por um processo natural de maturação: “Temos semente, temos solo. Agora é tempo de germinar.”

O painel abordou o movimento internacional de decolonização epistemológica, que busca valorizar saberes originários e práticas ancestrais. O foco recai sobre a produção de conhecimento não apenas eurocentrado, mas integrado a contextos culturais diversos. Nesse sentido, Roseny apontou que o futuro da pesquisa em Constelações exigirá metodologias mais alinhadas à natureza fenomenológica e energética da abordagem.

Ao final, Roseny Flávia criticou a fragilidade técnica de documentos que desqualificam as Constelações sem base empírica ou bibliográfica. “Estamos saindo daqui para o campo de desafios. Mas não saímos do vazio. Temos acervo, dados, história e ética. O que falta é reconhecimento da pluralidade do saber”, concluiu.

Ricardo Mendes, campo ancestral e o movimento sagrado

Ao refletir sobre a relação entre Xamanismo e Constelações Familiares, o vice-presidente do CECS, Ricardo Mendes, destacou a importância da humildade diante do mistério e da consciência de que somos conduzidos por algo maior. Explicou que o Xamanismo é um caminho de revelação direta com o mundo espiritual e apontou diversos pontos em comum com as Constelações Familiares citando como exemplo o respeito diante todas as formas de vida e a necessidade da ampliação do olhar para além do julgamento individual. O respeito aos ancestrais e o reconhecimento de significados mais amplos do que as situações sugerem à primeira vista também representam outros pontos em comum.

Ressaltou que não considera necessário compreender intelectualmente os mecanismos invisíveis das duas abordagens, mas sim vivenciar e reconhecer seus efeitos.

Juiz Sami Storch e o direito sistêmico: entre a lei e o campo

Na abertura do eixo Direito Sistêmico: entre a Lei e o Campo, a diretora do Centro de Excelência em Constelações Sistêmicas (CECS), advogada, mediadora de conflitos e coautora da obra Constelação Familiar: História, Teoria, Pesquisa e Ética, Haline Cristina Medeiros, situou o debate no contexto dos dois anos da instituição e destacou o papel precursor do juiz Sami Storch na introdução das Constelações no Judiciário brasileiro.

Para a mediadora, o trabalho do magistrado introduz uma dimensão de humanidade e uma justiça de natureza ampliada, que ultrapassa a aplicação estrita da norma e dialoga com uma justiça de caráter arquetípico.

Haline ressaltou ainda os resultados concretos dessa abordagem, com altos índices de conciliação, e defendeu a sistematização e a divulgação qualificada das experiências já existentes no país, de modo a conferir clareza conceitual e prática à aplicação das Constelações no Direito.

Em sua primeira intervenção, Sami Storch afirmou que a limitação da justiça tradicional decorre do próprio caráter geral das leis, necessárias para regular sociedades complexas, mas insuficientes para abarcar a singularidade das pessoas e dos conflitos.

Segundo o juiz, a efetividade da decisão jurídica depende do reconhecimento das condições individuais das partes. Citou ensinamento de Bert Hellinger ao defender o “olhar duplo” do magistrado: atenção simultânea à norma e às pessoas. Para Storch, o olhar fenomenológico permite identificar caminhos possíveis quando a aplicação linear da regra encontra obstáculos na realidade concreta.

O magistrado diferenciou o ideal de perfeição das ciências exatas do percurso imperfeito e singular das ciências humanas. Nesse sentido, sustentou que a ampliação do olhar no Direito abre um potencial significativo de pacificação social. Alertou que a aceleração processual, inclusive com uso de tecnologias, não resolve o conflito quando as causas profundas permanecem intocadas, o que leva à repetição dos litígios. O desafio central, afirmou, reside na humanização do sistema e na ajuda às partes para alcançar soluções duradouras.

Ética, lugar profissional e riscos de distorção

Em diálogo com observações da mediadora, Storch abordou as críticas e distorções associadas a práticas inadequadas do Direito Sistêmico.

Atribuiu tais problemas à falta de reconhecimento do próprio lugar no campo, ao apego a interesses financeiros e à inversão da relação de serviço, quando o profissional passa a colocar o cliente a seu favor. Defendeu a intervenção mínima, pontual e necessária, sem imposição de crenças ou julgamentos pessoais. Reafirmou que cada campo profissional possui limites éticos e institucionais próprios, que devem ser respeitados para preservar o sistema e evitar violações.

Na etapa final, conduzida pela mediadora Haline, o debate voltou-se à formação e à responsabilidade de quem ensina e aplica o Direito Sistêmico. Para Storch, a palavra central é prática, não repetição teórica.

O aprendizado exige vivência, exposição ao campo e capacidade de desidentificação em relação ao cliente. O juiz distinguiu aconselhamento de facilitação do olhar e alertou para os riscos de generalizar experiências pessoais. Concluiu que não existe formação completa e que a humildade constitui o eixo de sustentação ética do trabalho, ao reconhecer o caráter contínuo do aperfeiçoamento profissional.

Rosângela Ferreira: marcos conceituais e éticos do encontro do CECS

A historiadora, jornalista e psicanalista Rosângela Ferreira, diretora de eventos do CECS, fez durante o encontro uma síntese do percurso vivido ao longo do dia.

Destacou que o Encontro Nacional de Celebração ‘CECS – O campo que nos move: 2 anos de história, com ciência e expansão’ busca fortalecer o coletivo e o campo institucional sob a perspectiva da ciência fenomenológica.

Segundo ela, é necessário manter o foco na evidência, na individualidade e no cuidado com o corpo, ao reconhecer a dimensão sutil das experiências que ressoam em cada participante.

Rosângela reforçou que o CECS propõe um caminho ético e responsável diante das críticas, sem reações de revide ou disputa de narrativas.

“Queremos fortalecer esse campo com ética e com evidência. Olhamos para o corpo, para a escuta sensível, para a pedagogia, a saúde, a espiritualidade. As Constelações Organizacionais trazem um campo potente e pouco explorado no Brasil”, afirmou.

Ela ressaltou o papel institucional do CECS na construção de um campo sólido e responsável. “Queremos fortalecer as Constelações e ampliar a participação do coletivo com clareza, ética e responsabilidade científica”, destacou.

Fabrício Nogueira e as Constelações organizacionais: estruturas que respiram e os movimentos no mundo

Consultor organizacional e constelador sistêmico, Fabrício Nogueira aprofundou as reflexões sobre as estruturas invisíveis que regem as organizações.

Sua abordagem partiu da ideia de que todo sistema carrega propósitos, regras — muitas vezes ocultas — e padrões de comportamento moldados por vínculos sutis.

Ele destacou o valor do pensamento sistêmico como chave de compreensão das dinâmicas empresariais, especialmente quando comparado ao modelo linear e pragmático dominante na cultura corporativa.

“Muitas empresas repetem padrões inconscientes. Às vezes, contratam pessoas inovadoras que, em poucos dias, se moldam ao velho sistema sem que ninguém diga nada”, destacou.

“Isso é o sistema buscando equilíbrio”, observou. Fabrício chamou atenção para os três princípios sistêmicos nas organizações: hierarquia, pertencimento e equilíbrio entre dar e receber — sendo este último comumente manifestado na percepção de justiça salarial.

Segundo ele, a Constelação Organizacional permite mapear essas forças e revelar bloqueios escondidos no tecido institucional.

“É possível constelar até o capital investido ou o escopo de um projeto. Não é só sobre pessoas. O campo nos permite acessar dimensões invisíveis, mas profundamente operantes”, explicou.

Defensor de uma escuta mais intuitiva e de um corpo mais sensível, Fabrício provocou a audiência a desacelerar e cultivar a respiração consciente como tecnologia de conexão. “Se não respiramos, respondemos no automático. O pensamento sistêmico exige presença, escuta, humildade e abertura”, pontuou.

Ele também apontou que a origem de muitos conflitos organizacionais, sobretudo em empresas familiares, está no emaranhamento entre papéis: “Quando um diretor se comporta como pai na reunião com sua filha que é sucessora, há um desequilíbrio, principalmente em relação à equipe. A clareza dos vínculos é essencial.”

Destacou o papel do pensamento sistêmico como ferramenta para acessar as camadas ocultas dos sistemas corporativos, muitas vezes distantes da lógica linear e técnica. “Mudança é a única certeza, e a conexão com o campo começa ao abrir o coração para ela”, afirmou.

Fabrício comparou as Constelações Familiares e Organizacionais. Enfatizou que nas empresas há vínculos voluntários, regras culturais implícitas e forças estruturais diferentes das dinâmicas familiares.

Abordou o papel das “regras ocultas” que operam nos bastidores das organizações e defendeu o uso da Constelação como recurso para despertar a consciência do cliente.

Reforçou que a Constelação não oferece soluções diretas, mas revela camadas que exigem ação consciente.

“A Constelação não resolve o problema, ela dá luz ao que precisa ser olhado”, pontuou.

Dagmar Ramos, Goiânia e os vínculos interrompidos

A presidente do CECS, Dagmar Ramos, compartilhou a experiência da Constelação Sistêmica da cidade de Goiânia. A sessão, realizada em 18 de março de 2024, foi solicitada pelo presidente da Associação das Empresas do Mercado Imobiliário de Goiás (Ademi-GO), Felipe Melazzo, e pelo publicitário, consultor em marketing político, apresentador do Show da Manhã da Jovem Pan FM Goiânia, Marcus Vinicius Queiroz. O consultor organizacional e constelador sistêmico Fabrício Nogueira participou junto com Dagmar Ramos na condução da Constelação.

A investigação buscou compreender por que a população goianiense tende a se desconectar da própria cidade. A Constelação reuniu representantes simbólicos da população, do arquiteto Attilio Corrêa Lima, dos empresários e dos povos indígenas. Revelou vínculos rompidos com o passado e um centro simbólico esvaziado.

Dagmar explicou que o campo mostrou sentimentos de dor, exclusão e arrogância institucionalizada. A representante dos empresários, por exemplo, declarou sentir-se “grande demais para olhar os outros”, o que apontava para uma desconexão sistêmica.

“A Constelação mostrou o impacto do apagamento histórico, desde a expulsão dos povos originários aos fatos que envolveram o arquiteto que planejou a cidade. Attilio Corrêa Lima foi dispensado das funções, devido à alegação de falta de recursos”, destacou.

“Percebemos que há traumas não reconhecidos que atravessam o campo da cidade. As falas de reverência e reconhecimento aos indígenas e ao arquiteto permitiram pequenos movimentos de mudança no campo representado. Não sabemos o quanto isso afeta a realidade, mas sabemos que impactou profundamente os presentes”, relatou.

Dagmar pontua que a Constelação da cidade de Goiânia vem sendo apresentada como estudo de caso em outros fóruns, o que amplia o debate sobre urbanismo, memória e vínculos sistêmicos em territórios.

Dinâmica conduzida por Ingra Lyberato ativa corpo, presença e vínculos afetivos

No segundo dia, os participantes do Encontro Nacional de Celebração do CECS foram convidados a se reconectar com o corpo e com a dimensão relacional. Ingra Lyberato conduziu uma vivência que integrou movimento corporal, escuta emocional e práticas de consciência relacional.

A atividade teve início com exercícios suaves de alongamento e deslocamento no espaço, em que os participantes exploraram o corpo em quietude e em movimento, ao ativar a percepção da ocupação do próprio lugar no campo coletivo. Segundo Ingra, o gesto simbólico de “pedir licença para mais um dia de trabalho” marcou a entrada consciente no fluxo de vivências do encontro.

Na sequência, a dinâmica em duplas propôs o reconhecimento e a liberação de relações desafiadoras. Cada participante foi convidado a trazer à consciência um vínculo que causa incômodo, permitindo-se sentir, sem julgamento, as emoções associadas àquela experiência. O exercício orientava à entrega, simbólica e respeitosa, do que pertence ao outro, e à assunção da própria responsabilidade dentro da relação.

Encerrando a prática, a mesma dupla representou uma nova relação – inspiradora, amorosa e fortalecedora – ao permitir o reconhecimento do amor despertado e a gratidão por esse vínculo. “Foi uma forma de abrir o dia com o coração disponível para a potência dos encontros e das trocas, num campo de presença sensível e transformadora”, sintetizou Ingra Lyberato.

Em vídeo, presidente da ABC saúda encontro do CECS e destaca convergência de propósitos no fortalecimento das Constelações no Brasil

Por meio de vídeo, o presidente da Associação Brasileira de Consteladores Sistêmicos (ABC), Tarso Firace, saudou os participantes do Encontro Nacional de Celebração promovido pelo CECS. Escritor e terapeuta com mais de 30 obras publicadas, ele reconheceu o evento como uma força ativa no avanço da prática das Constelações no país.

Em sua mensagem, saudou os esforços do CECS como parte de um movimento coletivo em defesa das Constelações. “Estamos em grupos diferentes, mas fazemos parte do mesmo trabalho”, afirmou, ao ressaltar a importância da união entre instituições.

Firace também mencionou as ações em curso na ABC, como a realização de uma pesquisa nacional para mapear as potencialidades dos consteladores brasileiros. Segundo ele, o objetivo é transformar esse conhecimento em literatura acessível e reconhecida, a fim de fortalecer o campo profissional. Ao encerrar, desejou que o encontro fosse iluminado pela alegria e pelo senso de propósito comum.

Mais saudações institucionais em vídeo marcam celebração dos dois anos do CECS e reconhecem relevância da entidade no campo sistêmico

No decorrer do evento, os dois anos de atividades do CECS foram reconhecidos por meio de saudações em vídeo de profissionais que manifestaram apoio à trajetória da instituição e destacaram sua relevância no cenário das Constelações Sistêmicas. São eles:

▪ José Miguel de Deus, médico ginecologista, professor titular da Faculdade de Medicina da UFG e coordenador de grupo de Constelação Familiar no HC-UFG desde 2006, com foco em aconselhamento socioemocional e saúde da mulher.

▪ Vânia Meira e Siqueira Campos, médica anestesiologista, mestre e doutora em Ciências da Saúde; consteladora familiar e organizacional; coordenação temática do Mapa de Evidências da Constelação; pesquisadora do Cabsin com publicações sobre vínculos parentais e efeitos de longo prazo.

▪ Socióloga Miriam Coelho Braga, primeira membra benemérita do CECS. Coordenadora de pós-graduação lato sensu em Constelação Familiar e com atuação reconhecida na saúde pública e nas terapias corporais, defensora intransigente do SUS, uma das principais responsáveis pela difusão da abordagem sistêmica no Brasil.

▪ Cornelia Bonenkamp, especialista em Constelações Familiares e Organizacionais com 24 anos de experiência em pensamento sistêmico complexo, trainer certificada pelo Infosyon (Alemanha) e que atua com visualizações sistêmicas e formação de profissionais em diversos países.

▪ Solange Rolla, diretora de Eventos de fevereiro a dezembro de 2024, psicóloga, psicoterapeuta transpessoal com ênfase em regressão de vivências passadas. Membro do Colégio Internacional dos Terapeutas. Consteladora Sistêmica há 20 anos. Facilitadora de grupos de constelação, de aprofundamento e supervisão para consteladores.

Yolanda Freire apresenta avanços teóricos e celebra produção autoral durante o Encontro Nacional do CECS

Durante o Encontro Nacional de Celebração ‘CECS – O campo que nos move: 2 anos de história, com ciência e expansão’, promovido pelo Centro de Excelência em Constelações Sistêmicas, a psicóloga clínica Yolanda Freire, mestre em Psicologia Social e da Personalidade e diretora de Fundamentos e Estruturação Teórica das Constelações no CECS, apresentou um panorama reflexivo acerca do papel teórico e formativo das Constelações no Brasil contemporâneo.

Em sua exposição na Mesa Teórica “Fundamentação, Metodologias e Caminhos de Formação”, Yolanda contextualizou sua trajetória junto ao CECS e descreveu a evolução do Grupo de Trabalho (GT) que coordena.

Enfatizou o compromisso do GT em construir uma base teórica sólida e responsiva aos desafios éticos, epistemológicos e sociais que cercam o campo das Constelações, especialmente em um cenário de crescente complexidade institucional e acadêmica.

Yolanda destacou que a atuação do grupo partiu de uma escuta atenta e da troca com os pares para alinhar objetivos exequíveis com as possibilidades reais de um trabalho voluntário e comprometido com a excelência.

O grupo tem priorizado ações estratégicas, como a produção e curadoria de conhecimento qualificado, ao buscar integrar práticas fenomenológicas, fundamentos teóricos e sistêmicos consistentes.

Entre os principais resultados dessa jornada está o Projeto Autoria, uma iniciativa que visa reconhecer, acolher e divulgar obras de consteladores e consteladoras filiadas ao CECS. O projeto, descrito por Yolanda como um espaço respeitoso de partilha e reflexão, já conta com oito autores e autoras participantes:

1) 23/04 – Dagmar Ramos – Constelações Familiares na Medicina

2) 21/05 – Roseny Flavia Martins + co-autores (as) – Constelação Familiar, História, Teoria, Pesquisa e Ética

3) 25/06 – Ingra Lyberato – O Despertar do Amor Sistêmico

4) 23/07 – Ricardo Mendes – + Amor – Medo

5) 20/08 – Alzira Cristina – Falas de Solução – Manual Prático

6) 17/09 – Erica Lopes – Autoconstelação – Método do Triângulo Emocional

7) 22/10 – Ercília Gonçalves – Do Pé de Araçá às Leis do Amor

8) 26/11 – Rose Militão – Exercícios Sistêmicos para o Trabalho com Pessoas

9) 20/01/26 – Maria Izabel Rodrigues – Constelações Familiares e a Arte de Sentar no Banquinho

Como extensão do projeto, Yolanda apresentou a Vitrine Literária, uma plataforma aberta a autores associados que desejam expor obras relacionadas ao universo sistêmico.

O espaço busca fortalecer a visibilidade e o acesso ao conhecimento produzido por consteladores brasileiros, sem critérios de julgamento literário, mas com foco na ressonância com os princípios do CECS: excelência, integridade e valorização da prática fenomenológica.

A diretora enfatizou que o trabalho do GT se fundamenta no diálogo com outras áreas do saber e com instituições comprometidas com práticas integrativas e complementares.

Relembrou também a participação ativa no 3º Congresso Mundial de Medicina Tradicional, Complementar e Integrativa (WCTCIM) no Rio de Janeiro (junto com outros diretores do CECS). O evento foi co-organizado pelo Consórcio Acadêmico Brasileiro de Saúde Integrativa (Cabsin). Citou, ainda a participação do grupo em processos de defesa das Constelações junto ao Conselho Nacional de Direitos Humanos, e outras instâncias deliberativas.

Por fim, Yolanda Freire agradeceu à diretoria do CECS e aos colegas de grupo — Miriam Braga, Selma Horta, Cornélia Bonenkamp, Reinaldo Koei Yonamine e Agnes Manso — pelo comprometimento coletivo e reiterou o convite a novos colaboradores, ao reforçar o compromisso com a pluralidade, a escuta qualificada e a ampliação do campo sistêmico por meio de um trabalho acadêmico, ético e colaborativo.

Suzana Wayand Dias: GT de estrutura e qualificação

A diretora de Estruturação Acadêmica e Qualificação de Facilitadores em Constelações Sistêmicas do CECS, Suzana Wayand Dias, apresentou uma síntese do trabalho realizado no âmbito do Grupo de Trabalho (GT) responsável pela definição de critérios e práticas para a formação de consteladores.

Doutora em Administração, com mestrado em Economia das Organizações, farmacêutica industrial e professora de Negociação, Suzana informou que assumiu um papel acadêmico dentro do CECS, com foco em produção científica. Integra o Consórcio Acadêmico Brasileiro de Saúde Integrativa (Cabsin), pelo Comitê Científico de Constelações, junto à Roseny Flávia.

O GT teve como missão inicial desenvolver parâmetros para:

1- Estrutura mínima de conteúdo de formação de consteladores.

2- Estrutura de critérios e competência para consteladores e professores.

Contudo, após deliberações com a diretoria, o grupo optou por adotar a perspectiva de boas práticas como referência, e não a de avaliação do facilitador ou professor.

Com essa diretriz, o grupo apresentou:

1- Construção dos eixos de aprendizagem com base no modelo CHA — conhecimento, habilidades e atitudes — necessário para a atuação do constelador. Contempla a diversidade de formação, desde as abordagens clássicas até os movimentos do espírito proposto por Hellinger.

2- Realizou pesquisa entre os 30 formadores associados, no qual 9 responderam, sendo duas instituições estrangeiras. O levantamento evidenciou dois formatos principais de curso: a- em turmas com duração entre um e dois anos (160 a 440 horas) e b- modular, com disciplinas obrigatórias e eletivas.

Destacam-se os formadores Instituto Alzira (SP), que apresentou formação na Universidade USCS: 23 turmas e 11 turmas livres com mais de 300 alunos certificados. O instituto IAP (MS), representado por Olga Lima: formou 29 turmas, 940 alunos certificados. O Curso TSFI – Terapia sistêmica fenomenológica integrativa, com base em Sevaz – Suiça: formou 39 turmas no Brasil, com 610 alunos e 504 no exterior. O Instituto Constelação Familiar, Brigite Champetier de Ribes, Madrid (ES): certificou 800 alunos, ofertou 4.630 módulos para 25.864 alunos.

Quanto à forma de supervisão, destacou que, para Hellinger, a supervisão era focada na dificuldade do constelador com seu cliente, por meio de uma Constelação.

Hellinger partia da confiança no campo aberto pelo constelador, sem avaliar a capacidade consteladora. O autor também falou dos grupos de intervisão em seu livro Ordens da Ajuda, desde que houvesse independência do constelador (sem hierarquia).

Cerca de metade dos cursos da amostra, utiliza-se de supervisão terapêutica da psicologia ou psicanálise. Brigitte do Insconsfa segue a linha de Bert Hellinger e considera que um bom constelador está no Estado Adulto (Eric Berne), fez sua formação e está em crescimento pessoal permanente.

A equipe identificou requisitos comuns para obter certificação: leitura e resumos de livros e módulos, autobiografias, genossociogramas, memória de observação e compreensão do processo, busca de facilitador para constelar suas questões, supervisão e estágio obrigatório.

Suzana enfatizou que a certificação não é suficiente por si só e que o desenvolvimento ético e permanente do facilitador é essencial. “A gente só pode ajudar até onde a gente foi”, disse.

A pesquisa indicou que 87,5% dos alunos têm formação em saúde, sendo psicólogos, terapeutas e psicanalistas. Metade dos participantes (50%) possui ensino médio e a outra metade ensino superior. Muitos buscam as formações por interesse em autoconhecimento, e não necessariamente com a intenção de se tornarem consteladores. Quanto às modalidades, 75% dos cursos são híbridos, e quatro funcionam apenas no formato presencial.

Ao final, Suzana agradeceu a equipe formada por Erica Lopes Ferreira, Estela Schreiner, Marcelo Bertelli, Miriam Izabel de Souza, Olga Simone Almeida de Paulo Lima, Reinaldo Yonamine, Leonardo, Rosangela Ferreira, Ternise Castelar Torres e Alzira Cristina.

CECS lança revista com registros históricos e consolida legado institucional

Durante o Encontro Nacional de Celebração ‘CECS – O campo que nos move: 2 anos de história, com ciência e expansão’, o jornalista Deusmar Barreto, assessor de Comunicação do Centro de Excelência em Constelações Sistêmicas (CECS), apresentou uma linha do tempo dos acontecimentos que antecederam a criação da entidade e destacou os marcos mais relevantes em dois anos de atuação institucional.

Deusmar observou que os textos produzidos ao longo desse período foram bem recebidos por consteladores de todo o país, por expressar com clareza e profundidade a missão e a identidade do CECS. Para ele, a construção editorial ao longo de dois anos reflete o próprio amadurecimento da organização como um centro de excelência voltado à produção de conhecimento e à articulação institucional.

A apresentação anunciou a criação da Revista CECS – O campo que nos move, obra dividida em dois volumes (2024 e 2025), que reunirá reportagens dos eventos realizados pela entidade.

A revista será distribuída em formato digital para associados, filiados, instituições e lideranças do campo sistêmico no Brasil. “É um documento histórico, construído com rigor e profundidade, para que nada do que foi realizado seja descartado. Tudo será eternizado em dois tomos que consolidam a memória institucional do CECS”, afirmou Deusmar.

A publicação também trará o sistema gráfico completo, com ilustrações e fotografias dos eventos, numa edição que documenta o percurso da entidade com responsabilidade e visão de futuro.

Ao final, o jornalista agradeceu o trabalho da diretora de Comunicação do CECS, Ingra Lyberato, ao reconhecer sua atuação sensível e estratégica na consolidação da linguagem institucional.

Dois anos de história e mais de 90 eventos

Ao longo de dois anos de atuação, o Centro de Excelência em Constelações Sistêmicas (CECS) protagonizou mais de 90 eventos institucionais com foco na formação e na defesa das Constelações no Brasil e no exterior.

O conjunto de ações inclui o envio de documentos técnicos a ministérios e conselhos de classe, realização de lives formativas com mestres internacionais, lançamento de livros por meio do Projeto Autoria, publicações científicas, produção de notas públicas e relatórios, atividades de defesa jurídica da prática das Constelações, encontros institucionais com parlamentares e órgãos federais, participação em congressos nacionais e internacionais, e criação de núcleos temáticos — como o de Direito Sistêmico.

Esses eventos refletem o compromisso do CECS com a qualificação, o diálogo institucional, a promoção da pesquisa e o fortalecimento do campo sistêmico em diversas áreas da sociedade, pontuou o jornalista. As iniciativas consolidam a instituição como principal referência em Constelações no Brasil.

Ingra Lyberato destaca papel da comunicação e agradece equipe do CECS

Ao encerrar a gestão como diretora de Comunicação do Centro de Excelência em Constelações Sistêmicas (CECS), a atriz e escritora Ingra Lyberato expressou gratidão à equipe que esteve à frente da construção da linguagem institucional da entidade nos dois primeiros anos de atuação.

Ela destacou que aceitou o convite para assumir essa função por afinidade com sua trajetória profissional e por acreditar na potência simbólica e estratégica da comunicação dentro de movimentos sociais e terapêuticos.

Segundo Ingra, o CECS teve a sorte de contar com uma equipe altamente qualificada e dedicada, formada por profissionais contratados e voluntários — entre eles, o jornalista Deusmar Barreto, o designer e constelador Fabrício Nogueira e, mais recentemente, a designer e especialista em redes sociais Victoria Acerbi.

Ingra sublinhou a relevância da arte como vetor de expansão da fenomenologia e da prática das Constelações, ao citar a série de eventos promovidos com a roteirista turca Nuran Evren Şit como marco importante na conquista de visibilidade na mídia nacional.

Ela também valorizou a construção orgânica do canal institucional no Instagram, criado antes mesmo da fundação oficial do CECS, e que rapidamente se consolidou como a maior página institucional do campo sistêmico, sem qualquer investimento financeiro em impulsionamento.

Em tom emocionado, Ingra lembrou que os ataques às Constelações começaram na comunicação — e foi por meio dela que se estruturou a defesa, o diálogo público e a coesão do movimento.

Ao transmitir oficialmente a liderança da comunicação a Fabrício Nogueira e Deusmar Barreto, ela desejou continuidade com “força, legitimidade e amor”, ao pontuar a importância de um rodízio saudável de funções para sustentar o crescimento do CECS.

Agnes Manso: gestão administrativa e perspectivas operacionais do CECS

Agnes Manso, arquiteta, urbanista, formanda em psicologia com pós-graduação em psicologia transpessoal, assumiu a diretoria-executiva do CECS após convite da primeira presidente Andréa Vulcanis e de Maria Izabel Rodrigues, a quem sucedeu no cargo.

Declarou ter aceitado a função com senso de responsabilidade institucional e compromisso com a continuidade do mandato. Iniciou sua atuação com base em experiências anteriores na arquitetura e nos atendimentos terapêuticos, ao conciliar suas funções no CECS com a clínica e a formação acadêmica.

Agnes Manso apresentou um panorama geral das medidas adotadas pela diretoria com foco no aprimoramento da gestão administrativa e financeira do CECS. Ao assumir a condução dos trabalhos, a equipe identificou a necessidade de modernizar processos internos, promover maior centralização das informações institucionais e adotar ferramentas mais adequadas às demandas de uma entidade que busca agregar novos membros e criar facilitadores para os associados que contribuem para a manutenção da instituição.

Nesse contexto, a diretoria realizou estudos de mercado e passou a avaliar soluções tecnológicas capazes de integrar gestão financeira e atividades formativas. A experiência inicial contribuiu para a compreensão mais precisa das necessidades operacionais da instituição, levando à decisão de implementar ajustes estruturais e operacionais.

Entre as diretrizes definidas estão a simplificação dos fluxos administrativos, a automação de rotinas financeiras e a adoção de um modelo de contribuição mais alinhado às práticas de associações congêneres, com vistas à sustentabilidade institucional. Agnes ressaltou que todas as decisões foram orientadas pelo compromisso com a continuidade das atividades, a organização interna e o fortalecimento do vínculo institucional com os associados.

A expectativa da diretoria é que as mudanças em curso contribuam para maior eficiência, previsibilidade financeira e consolidação do CECS como uma entidade estruturada, capaz de sustentar o crescimento das atividades acadêmicas e institucionais no médio e longo prazo.

Projeções para o próximo ciclo do CECS

Na sequência do Encontro Nacional de Celebração ‘CECS – O campo que nos move: 2 anos de história, com ciência e expansão’, a presidente Dagmar Ramos situou o momento como estratégico para a preparação do próximo ciclo institucional e da nova diretoria do Centro de Excelência em Constelações Sistêmicas. Em sua fala, destacou que o encontro não se limitava a uma celebração retrospectiva, mas assumia caráter prospectivo, ao abrir espaço para reflexões sobre o futuro da associação.

Dagmar ressaltou que a presença de novos participantes e parceiros integra um movimento que não ocorre ao acaso, mas responde a um processo de amadurecimento do CECS. Nesse contexto, retomou o conceito de “Upcoming Future” como eixo simbólico e prático para pensar os caminhos que se apresentam, compreendidos como trajetórias mais preparadas, consistentes e prósperas para a instituição.

A presidente enfatizou a importância de acolher contribuições que favoreçam a leitura desses caminhos futuros, inclusive por meio de práticas sistêmicas que possam ampliar a percepção coletiva sobre as possibilidades de desenvolvimento da associação. Destacou, ainda, a relevância do Direito Sistêmico no cenário brasileiro, reconhecendo-o como um campo de forte impacto social e institucional, que atrai a atenção do movimento das Constelações de forma ampla.

Ao agradecer a presença de representantes dessa área e de outros convidados, Dagmar reforçou o convite para que integrem o próximo ciclo do CECS, ao sublinhar a necessidade de coordenação e articulação entre diferentes frentes de trabalho. Ela concluiu com o reconhecimento das parcerias já estabelecidas e com a sinalização de que o futuro do Centro de Excelência em Constelações Sistêmicas depende da continuidade do diálogo, da cooperação e da construção coletiva.

Transição institucional e próximos passos do CECS

A presidente do CECS, Dagmar Ramos, realizou um balanço do primeiro ciclo da entidade ao ressaltar sua importância como etapa fundadora e estratégica para a consolidação do projeto institucional.

Ela ressaltou o papel decisivo da primeira diretoria, que teve como presidente Andréa Vulcanis, advogada, procuradora federal, mestre em Direito e pós-graduada em Direito Sistêmico cuja atuação foi considerada fundamental no contexto de enfrentamento na defesa das Constelações no Brasil.

Igualmente Dagmar Ramos fez um reconhecimento ao trabalho realizado pela primeira diretora-executiva do CECS, Maria Izabel Rodrigues, psicóloga, psicoterapeuta de indivíduo, casal e família, diretora fundadora da Faybel Escola do Pensamento Sistêmico, reconhecida por sua trajetória e qualificação.

Dagmar informou que, por razões profissionais e pessoais, ambas se afastaram da diretoria ao final do primeiro ano, o que levou à reorganização interna e à sua assunção da presidência. Nesse movimento, Ricardo Mendes passou a ocupar a vice-presidência ao mesmo tempo em que manteve a articulação internacional da instituição.

A diretoria-executiva foi assumida por Agnes Manso, arquiteta, urbanista, formanda em psicologia com pós-graduação em psicologia transpessoal. Ela passou a comandar o setor administrativo e financeiro, função descrita como estratégica para a sustentabilidade institucional.

Dagmar destacou o caráter voluntário do trabalho diretivo e agradeceu publicamente a dedicação técnica e organizacional de Agnes, especialmente na estruturação administrativa e na realização do encontro presencial.

Também foi registrado o fortalecimento da equipe técnica, com destaque para Fabrício Nogueira, inicialmente responsável pela estruturação do site institucional e posteriormente integrado de forma mais ampla à dinâmica diretiva.

Encerramento de mandato e continuidade

Dagmar Ramos reafirmou que seu mandato foi concebido desde o início como transitório, voltado à consolidação institucional e à abertura de espaço para novas lideranças. Comunicou sua passagem para o Conselho Administrativo do CECS, onde manterá vínculo ativo com a instituição, ao lado de Ingra Lyberato, também em transição de função.

Ela afirmou que seguirá a contribuir com o CECS, especialmente na defesa pública, ética e institucional das Constelações Sistêmicas, ao mesmo tempo em que direciona maior dedicação à sua atuação médica na área da psiquiatria.

Entre os caminhos futuros apresentados, Dagmar Ramos citou a importância de ampliar a estrutura diretiva, com fortalecimento das áreas de comunicação, administração e Direito Sistêmico, além da criação de núcleos regionais, inspirados em modelos internacionais, como o da associação alemã de Constelações. A proposta busca responder à dimensão territorial do Brasil e ampliar a capilaridade institucional.

Foi reafirmado que a definição da nova diretoria ocorrerá por meio de assembleia geral, com processo aberto à participação e à apresentação de candidaturas.

Na sequência, a diretora-executiva Agnes Manso comunicou que foi criada a comissão eleitoral, conforme previsto no Estatuto, composta por três associados responsáveis pela condução do processo, que será aberto à participação dos membros aptos, em observância ao quórum estatutário exigido para deliberação e votação.

Constelação projeta caminhos para o presente e o futuro das Constelações Sistêmicas no Brasil

No encerramento do Encontro Nacional de Celebração ‘CECS – O campo que nos move: 2 anos de história, com ciência e expansão’, foi realizada uma Constelação Sistêmica voltada ao presente e ao futuro das Constelações no Brasil. A vivência foi conduzida por Fabrício Nogueira, consultor organizacional e constelador sistêmico, a pedido da presidente Dagmar Ramos.

A proposta teve caráter institucional e prospectivo, ao buscar acessar, por meio do campo fenomenológico, os movimentos que atravessam a prática das Constelações no contexto brasileiro, bem como os desafios éticos, formativos e estruturais que se apresentam no horizonte.

A Constelação permitiu a observação de dinâmicas coletivas relacionadas à maturidade do campo, à necessidade de alinhamento entre prática, responsabilidade e consciência institucional, e à construção de caminhos sustentáveis para o desenvolvimento futuro da abordagem no país.

Inserida no conjunto das atividades finais do encontro, a vivência reforçou o caráter integrativo do evento, ao articular reflexão, experiência e leitura sistêmica como instrumentos de compreensão e orientação dos próximos ciclos do movimento das Constelações Sistêmicas no Brasil.

Encerramento: compartilhar a luz da consciência, presença e compromisso coletivo

Ao final da celebração do CECS, a atriz, escritora e diretora de comunicação Ingra Lyberato conduziu um ato simbólico profundamente enraizado na tradição da partilha luminosa como expressão da consciência desperta.

O gesto de acender e distribuir a luz, realizado por meio do manuseio coletivo de velas, não se restringiu a um ato estético ou cerimonial, mas configurou-se como expressão de um campo simbólico de elevada densidade espiritual e ética.

Nesse contexto, a luz representa a consciência – não como conceito abstrato, mas como presença encarnada, força vital e percepção ampliada do ser em relação a si, ao outro e ao todo.

A cerimônia propôs um movimento ascendente e expansivo: primeiramente, o acendimento individual, como ato de despertar interior; em seguida, o compartilhamento dessa chama com o outro, ao instaurar um campo de unidade e interdependência. Cada vela acesa tornava-se, assim, emblema de uma consciência que se expande, se conecta e se compromete.

Esse gesto de distribuir a luz implicou também um reconhecimento: o de que cada pessoa presente no evento ocupa um lugar singular, intransferível, que demanda presença ativa, escuta sensível e ação responsável.

O ato encerrou-se com expressões de gratidão e com um comprometimento coletivo: o de sustentar essa luz acesa em suas práticas cotidianas, tanto no âmbito pessoal quanto nas frentes coletivas de trabalho, criação e transformação.

A chama, nesse contexto, torna-se mais do que símbolo. Ela se transforma em linguagem viva de um pacto silencioso, porém profundo: de manter viva a consciência, de honrar o caminho trilhado e de assumir, com humildade e coragem, o próprio lugar no tecido da vida.


Participantes do Encontro Nacional de Celebração ‘CECS – O campo que nos move: 2 anos de história, com ciência e expansão’ e a atual diretoria do CECS durante evento histórico realizado na Faculdade Rudolf Steiner, em São Paulo: iniciativa consolida papel institucional do Centro de Excelência em Constelações Sistêmicas na estruturação da abordagem no Brasil.


A atriz, escritora e diretora de comunicação Ingra Lyberato conduziu um rito de ancoramento vinculado à sabedoria ancestral e ao reconhecimento da sacralidade da presença coletiva.

A presidente do CECS, Dagmar Ramos, conduziu um World Café Sistêmico Fenomenológico, que marcou simbolicamente o início das atividades do Encontro Nacional de Celebração.

A presidente do CECS, Dagmar Ramos, reforçou o conceito de “Upcoming Future” como eixo simbólico e prático para pensar os caminhos que se apresentam, compreendidos como trajetórias mais preparadas, consistentes e prósperas para a instituição.


O vice-presidente do CECS, Ricardo Mendes, apresentou pontos comuns entre as Constelações Familiares e o Xamanismo.


Alzira Cristina, psicóloga clínica e diretora de Ética do CECS, abordou o tema “Lugar do Terapeuta Sistêmico: Ética, Postura e Movimento Interno” ao apresentar o Código de Conduta da instituição.


A psicoterapeuta corporal Maristela de André conduziu a vivência intitulada “O corpo em ressonância com o campo”: Com formação em psicodrama, bioenergética, Constelações Sistêmicas e Movimento Vital Expressivo pelo Instituto Rio Abierto Internacional, ela é referência no Brasil em abordagens psicocorporais aplicadas ao trabalho sistêmico.


Roseny Flávia Martins, pesquisadora PhD e diretora científica do CECS, apresentou o painel “Ciência e Espiritualidade”, com mapeamento de 652 fontes bibliográficas sobre Constelações: ela defendeu a valorização de saberes ancestrais e a construção de uma ciência sistêmica.


Haline Medeiros, diretora do CECS, advogada, mediadora de conflitos, coautora da obra ‘Constelação Familiar: História, Teoria, Pesquisa e Ética’, destacou o papel precursor do juiz Sami Storch na introdução das Constelações no Judiciário brasileiro: trabalho do magistrado introduz dimensão de humanidade e justiça de natureza ampliada.


A historiadora, jornalista e psicanalista Rosângela Ferreira, diretora de eventos do CECS, destacou que o Encontro Nacional de Celebração busca fortalecer o coletivo e o campo institucional sob a perspectiva da ciência fenomenológica.

Fabrício Nogueira, consultor organizacional e constelador sistêmico, abordou a Constelação Organizacional como recurso para mapear vínculos invisíveis e promover equilíbrio entre pertencimento, hierarquia e justiça interna.

Ricardo Mendes convidou o grupo a abrir o segundo dia do encontro cantando para o sol da manhã.

A atriz e escritora Ingra Lyberato conduziu uma vivência que integrou movimento corporal, escuta emocional e práticas de consciência relacional.


Yolanda Freire, mestre em Psicologia Social e diretora de Fundamentos e Estruturação Teórica das Constelações no CECS apresentou o Projeto Autoria e a Vitrine Literária, que reúnem obras de consteladores associados à instituição.

Suzana Wayand Dias, doutora em administração e diretora de Estruturação Acadêmica e Qualificação de Facilitadores em Constelações Sistêmicas do CECS, apresentou dados sobre cursos formativos em Constelação Sistêmica e defendeu práticas baseadas em conhecimento, habilidades e atitudes.


Deusmar Barreto, jornalista e assessor de comunicação do CECS, apresentou a linha do tempo da instituição e lançou a Revista CECS – O Campo que nos move, com registros jornalísticos dos eventos e memória institucional.


Agnes Manso, arquiteta, urbanista, formanda em psicologia com pós-graduação em psicologia transpessoal, diretora-executiva do CECS, apresentou medidas de reestruturação administrativa e implementação de ferramentas de gestão.


Por meio de vídeo, o presidente da Associação Brasileira de Consteladores Sistêmicos (ABC), Tarso Firace, saudou os esforços do CECS no movimento coletivo em defesa das Constelações: “Estamos em grupos diferentes, mas fazemos parte do mesmo trabalho”, afirmou, ao ressaltar a importância da união entre instituições.


No Encontro Nacional de Celebração ‘CECS – O campo que nos move: 2 anos de história, com ciência e expansão’ foi realizada uma Constelação Sistêmica voltada ao presente e ao futuro da abordagem no Brasil: a vivência foi conduzida por Fabrício Nogueira, consultor organizacional e constelador sistêmico.


Ao final da celebração do CECS, a atriz, escritora e diretora de comunicação Ingra Lyberato conduziu um ato simbólico profundamente enraizado na tradição da partilha luminosa como expressão da consciência desperta: O gesto de acender e distribuir a luz, realizado por meio do manuseio coletivo de velas, não se restringiu a um ato estético ou cerimonial, mas configurou-se como expressão de um campo simbólico de elevada densidade espiritual e ética.

Centro de Excelência em Constelações Sistêmicas (CECS) – Assessoria de Comunicação – Contato para informações e entrevistas: (62) 9-8271-3500 (WhatsApp).

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