Na terceira edição do projeto, especialista internacional aborda o tema “Pensamento Sistêmico Complexo – Visualização e Constelações”. Evento reúne profissionais em roda de conversa com experiência vivencial e reflexões sobre regras invisíveis que regem sistemas humanos

“O pensamento linear e mecanicista é totalmente adequado para máquinas. Um carro pode ser desmontado em mil peças e, ao ser remontado corretamente, voltará a andar. No entanto, corta um ser humano ou uma árvore em mil partes e junta de novo na maneira certa. Funciona? Não. Assim, precisamos, para as relações vivas, não o raciocínio linear, mecanicista, com certo e errado, bom e mal. Importa usar o pensamento sistêmico complexo”, destaca Cornelia Bonenkamp

Mediadora do evento, historiadora, jornalista, psicanalista e diretora de eventos do CECS, Rosângela Ferreira, aponta: “Precisamos enxergar as pessoas, as organizações, como sistemas vivos, atravessados por histórias, afetos e conflitos”

Especialista em Constelações Familiares e Organizacionais com reconhecimento internacional, Cornelia Bonenkamp foi a convidada especial da terceira edição do ‘CECS Constela’ que ocorreu no dia 18 de dezembro de 2025 com o tema ‘Pensamento Sistêmico Complexo – Visualização e Constelações’.

O projeto combina prática de Constelação, escuta qualificada e troca de saberes entre profissionais da abordagem. A mediação foi conduzida pela historiadora, jornalista, psicanalista e diretora de eventos do CECS, Rosângela Ferreira.

Cornelia Bonenkamp é especialista em pensamento sistêmico/complexo e visualização/Constelação Organizacional há 15 anos e em Constelação Familiar há 21 anos.

Trabalha com visualizações e Constelações à base do pensamento sistêmico complexo há 24 anos. Também oferece formação em visualizações e Constelações Organizacionais há mais de 14 anos. É reconhecida pelo Infosyon, associação internacional de Constelações Organizacionais da Alemanha.

A convidada integra o grupo de consteladores com ampla trajetória internacional e sólida base teórica. Seu trabalho dialoga com a complexidade do pensamento sistêmico e suas aplicações nas relações humanas, organizacionais e sociais.

Um espaço de travessia, de partilha e de conexão entre teoria e vivência

O encontro iniciou com palavras da diretora de eventos do CECS, Rosângela Ferreira, que acolheu o público ao destacar o papel do autoconhecimento na jornada dos profissionais sistêmicos. Segundo ela, “tudo está em movimento, tudo está em evolução”, e isso exige disposição constante para aprender com os pares, em processos coletivos que renovam a escuta, a percepção e a prática.

Rosângela reforçou que, para quem atua no campo das Constelações, não existe ponto de chegada. O saber se constrói de forma contínua, orgânica e integrada à experiência de vida. Nesse espírito, o evento se propôs como um espaço de travessia, de partilha e de conexão entre teoria e vivência.

Ao introduzir o tema da noite, Rosângela abordou a inadequação de leituras tradicionais sobre o funcionamento das organizações. Indicadores, cargos e estruturas hierárquicas não são suficientes para explicar a complexidade dos vínculos que operam dentro dos sistemas organizacionais.

“Precisamos enxergar as organizações como sistemas vivos, atravessados por histórias, afetos e conflitos”, afirmou. Esse olhar convida à superação da lógica linear e à adoção de perspectivas mais amplas, que reconhecem a interdependência entre os elementos e os impactos sistêmicos de cada ação.

Rosângela destacou que o pensamento sistêmico complexo permite deslocar o foco da causalidade direta para uma visão integrada, onde tudo se conecta. Nesse campo, as decisões não afetam apenas partes isoladas, mas reverberam em todo o sistema.

Ao reconhecer essa rede de relações, o profissional passa a atuar com mais consciência, compreendendo que “tudo é sempre maior do que a soma das partes”. Essa abordagem amplia a lente com que se observam as organizações e oferece novos caminhos para intervir de forma mais sensível e efetiva.

Rosângela encerrou sua introdução ao saudar Cornelia Bonenkamp. Destacou sua trajetória íntegra, o compromisso com a formação de qualidade e a profunda experiência prática aliada a uma sólida base teórica.

“É uma alegria e uma honra receber Cornelia nesta noite. Sua presença nos enriquece e nos inspira”, afirmou. A estrutura do encontro previa um momento inicial de fala da convidada, seguido por um exercício prático que permitiria aos participantes vivenciar os conceitos apresentados de forma direta.

Trajetória pessoal e ruptura com padrões convencionais

Em sua fala de abertura, a especialista Cornelia Bonenkamp compartilhou uma experiência marcante de sua vida que, segundo ela, provocou uma virada profunda na trajetória pessoal e profissional. Nascida e formada na Alemanha, Cornelia atuou como professora por vários anos antes de se mudar para o Brasil, onde vive há mais de duas décadas.

“Gostava muito de trabalhar com jovens e crianças, mas o sistema de notas e avaliações me desanimou profundamente”, revelou. Ao perceber que aquele modelo educativo não mais dialogava com seus valores, se perguntou: “O que fazer? Vou trabalhar num colégio alemão no estrangeiro”. E se candidatou.

Cornelia narrou um episódio decisivo: foi enviada ao México, após um período de preparação que incluiu o aprendizado de nova língua. Antes da viagem, acreditava conhecer o país e seu povo a partir do que ouvira ou lera. No entanto, ao chegar, deparou-se com uma realidade completamente diferente da que imaginava.

“Foi um dos maiores presentes que recebi na vida”, afirmou. A experiência desconstruiu suas certezas e dissolveu os preconceitos internalizados. “Nunca mais acreditei cegamente em estereótipos. O que a mídia diz, o que as pessoas falam — tudo isso é apenas uma possibilidade de olhar para algo, não uma verdade absoluta.”

Essa vivência tornou-se um ponto de inflexão. A partir dela, Cornelia iniciou sua imersão no campo do pensamento sistêmico complexo, uma abordagem que valoriza a multiplicidade de perspectivas e reconhece a interdependência entre todos os elementos de um sistema.

Introdução ao pensamento sistêmico

Ao introduzir o tema central do encontro, Cornelia lançou uma pergunta ao público: “O que é pensamento sistêmico para vocês?” A indagação não visava obter respostas definitivas, mas convidar à reflexão e ao diálogo. Com essa abertura, a especialista preparou o campo para uma abordagem que rejeita simplificações e convida à escuta ativa dos fluxos invisíveis que atravessam sistemas humanos, sociais e organizacionais.

A partir de sua vivência e prática internacional, Cornelia destacou que o pensamento sistêmico complexo exige o abandono de verdades fixas. Em vez de respostas lineares, ele propõe uma visão ampla, relacional e dinâmica da realidade.

A provocação feita por Cornelia Bonenkamp — “O que é pensamento sistêmico para vocês?” — encontrou eco imediato no vice-presidente e diretor de Relações Internacionais do CECS, Ricardo Mendes. Arteterapeuta com ampla formação, Ricardo atua como docente em Constelações Familiares e práticas xamânicas ao integrar abordagens ancestrais e contemporâneas em sua trajetória acadêmica e terapêutica.

Em resposta à pergunta da convidada, Mendes ofereceu uma síntese clara e sensível sobre o pensamento sistêmico. “Para mim, é um olhar amplo”, afirmou. “É uma visão que reconhece que cada um de nós é um componente de um todo muito maior. Influenciamos esse todo e somos guiados por ele.”

Com isso, Ricardo enfatizou a interdependência como um princípio fundamental da abordagem sistêmica. “Não existe indivíduo sem o sistema, nem sistema sem os indivíduos”, declarou. A fala sintetiza a ideia de que o sujeito está em constante relação com os contextos aos quais pertence — sejam eles familiares, sociais ou organizacionais — e que qualquer movimento interno repercute no coletivo, da mesma forma que as dinâmicas do coletivo moldam a experiência individual.

Ao trazer essa perspectiva, Ricardo Mendes reforçou a base filosófica e prática da Constelação Sistêmica: a compreensão profunda de que somos seres de vínculo, pertencimento e influência mútua.

O reconhecimento do contexto e da reverberação dos atos

Rosângela Ferreira, também respondeu à pergunta de Cornelia Bonenkamp. Sua fala complementou a visão apresentada por Ricardo Mendes e reafirmou os princípios do pensamento sistêmico.

“Falei um pouco sobre isso na abertura, mas retomo agora: trata-se de olhar o todo, o contexto”, declarou Rosângela. Para ela, o ser humano não se dissocia do meio ao qual pertence. Cada ação, ainda que aparentemente isolada, reverbera em múltiplos níveis e alcança um campo muito mais amplo do que aquele visível à primeira vista.

Segundo Rosângela, essa percepção se aplica tanto às dinâmicas familiares quanto às organizacionais. “Precisamos observar todas as partes envolvidas”, afirmou. Ao adotar esse olhar, o profissional sistêmico reconhece que nenhuma decisão ocorre no vazio e que todo movimento gera implicações que tocam diferentes dimensões da realidade.

A diretora do CECS destacou, ainda, que o pensamento sistêmico exige sensibilidade para mapear essas conexões e compreender os efeitos cruzados entre ações individuais e estruturas coletivas. Sua fala reforçou a proposta do evento: criar um espaço de reflexão onde não apenas se estuda o pensamento complexo, mas também se vive em comunidade.

A potência do resultado na interação entre partes e todo

A diretora de Estruturação Acadêmica e Qualificação de Facilitadores em Constelações Sistêmicas do CECS, Suzana Wayand Dias, também contribuiu para o debate proposto por Cornelia Bonenkamp. Doutora em Administração, com especialização em Economia da Organização, mestre em Administração das Organizações, farmacêutica industrial e professora de negociação, Suzana trouxe à discussão uma perspectiva ancorada na teoria de sistemas.

Ela destacou que o pensamento sistêmico opera a partir da compreensão de que existe uma dinâmica contínua entre as partes e o todo. “Estamos construindo a ideia de que essa interação não gera uma simples soma, mas sim um resultado muito maior quando se compreende a complexidade envolvida”, afirmou.

Segundo Suzana, é justamente ao reconhecer a complexidade dos sistemas que se revela seu verdadeiro potencial. A lógica sistêmica rompe com a linearidade tradicional e convida à observação de como os elementos se relacionam em camadas interdependentes, onde o todo emerge como algo qualitativamente superior à mera adição de partes isoladas.

Suzana reforçou o valor epistemológico da abordagem e sua aplicabilidade tanto em ambientes organizacionais quanto em contextos de desenvolvimento humano. Sua fala alinhou fundamentos acadêmicos à prática terapêutica e contribuiu para a profundidade conceitual do encontro.

Camadas temporais e forças invisíveis no campo sistêmico

A atriz, escritora e diretora de Comunicação do CECS, Ingra Lyberato, também contribuiu com uma reflexão sensível e profunda à questão proposta por Cornelia Bonenkamp. Ao abordar o pensamento sistêmico complexo, Ingra destacou a presença de trocas que ultrapassam o plano visível das interações humanas imediatas.

“Pensei nessas trocas sistêmicas, complexas e amplas”, afirmou. Para ela, o campo sistêmico não se limita ao presente. Envolve relações com o passado e o futuro, o que adiciona novas camadas de complexidade à compreensão do sistema. Essa visão temporal expande o entendimento linear dos vínculos e insere os sujeitos em uma rede dinâmica de pertencimento intertemporal.

Ingra também apontou para a existência de forças que não se restringem às trocas conscientes entre os indivíduos.

“Talvez existam forças comuns, como a alma do sistema”, observou. Essas forças, embora possam receber diferentes nomes, operam como princípios invisíveis que regem o equilíbrio entre o dar e o receber dentro de um sistema.

Sua contribuição ampliou o escopo da conversa ao sugerir que a compreensão do pensamento sistêmico exige não apenas uma análise relacional entre as partes, mas também a escuta das dimensões intangíveis que sustentam a ordem profunda dos sistemas humanos.

Ingra Lyberato propôs, assim, uma leitura que incorpora a complexidade do tempo e da energia que atravessa os vínculos.

A quinta disciplina e o deslocamento do pensamento linear

A mediadora Rosângela Ferreira incorporou à discussão uma referência fundamental para o campo do pensamento sistêmico: o cientista de sistemas norte-americano Peter Senge.

Autor da obra ‘A Quinta Disciplina’, Senge consolidou o pensamento sistêmico como um dos pilares da aprendizagem organizacional.

Rosângela destacou a relevância desse conceito para o encontro. “Peter Senge chamou de quinta disciplina esse deslocamento — o pensamento sistêmico como base para as demais capacidades de uma organização que aprende”, afirmou.

Ao introduzir essa abordagem, a mediadora ressaltou que o pensamento sistêmico não funciona como um conhecimento isolado, mas como uma disciplina que sustenta e articula outras práticas essenciais, como o domínio pessoal, os modelos mentais, a construção de uma visão compartilhada e a aprendizagem em equipe.

A menção à obra de Senge aprofundou o caráter acadêmico da roda de conversa e reforçou a ideia central do evento: compreender que sistemas vivos, sejam organizacionais ou familiares, exigem uma mudança radical de paradigma. Essa mudança envolve abandonar modelos lineares e abraçar a complexidade como ferramenta de leitura e ação no mundo.

A família como origem do pensamento sistêmico

A educadora e terapeuta Selma Horta trouxe à roda de conversa uma contribuição centrada no ponto de partida do pensamento sistêmico: a família. Em sua explanação, destacou que o primeiro sistema no qual o indivíduo se reconhece é o núcleo familiar, onde se formam as crenças fundamentais que moldam a percepção de mundo.

“O pensamento sistêmico se inicia na família. Para mim, ele nasce das crenças que construímos nesse primeiro sistema”, afirmou.

Selma ressaltou que muitas dessas crenças, embora estruturantes, revelam-se limitantes ao longo da vida, sendo desveladas apenas com o amadurecimento e a reflexão.

Ela destacou a importância de reconhecer esse início, mesmo diante da complexidade crescente que o pensamento sistêmico alcança nas esferas organizacionais e sociais.

“Quero agregar tudo que Ingra e os colegas já disseram, mas sem deixar de olhar para essa célula originária, que muitas vezes carrega limitações profundas”, afirmou.

Selma enfatizou que, antes de se tornar uma ferramenta de análise sofisticada, o pensamento sistêmico começa com a experiência subjetiva dentro da família. Essa matriz inicial influencia os modos de se relacionar, perceber e agir no mundo. Sua fala reorientou a discussão para uma dimensão essencial: a origem afetiva e emocional dos padrões sistêmicos que, mais tarde, sustentam ou limitam a complexidade das relações humanas.

A definição de sistema e a importância das regras invisíveis

Dando continuidade à discussão, Cornelia Bonenkamp aprofundou o conceito de sistema como base essencial para a compreensão do pensamento sistêmico. Para ela, a clareza sobre o que constitui um sistema é decisiva para qualquer abordagem séria da complexidade.

“Um sistema, na natureza, surge quando dois ou mais elementos estabelecem um funcionamento conjunto”, explicou. Para ilustrar esse princípio, Cornelia recorreu a um exemplo vivo: a semente da árvore Noz de Pará. Segundo ela, o destino dessa semente depende inteiramente do ambiente onde ela cai.

Em São Paulo ou na Alemanha, a semente não sobrevive. Em pastos abertos, até cresce, mas não frutifica. Somente na floresta amazônica encontra as condições ideais para florescer plenamente.

Cornelia destacou que os sistemas naturais não podem ser compreendidos sem a análise de suas condições específicas. “Não existe sistema na natureza separado do seu contexto”, afirmou.

Esse raciocínio vale também para os sistemas humanos.

A metáfora do jogo e as regras que organizam os vínculos

Ao transpor o conceito de sistema para as relações humanas, Cornelia ofereceu outra imagem didática: a de um jogo de futebol. “O que importa mais no futebol: os jogadores ou as regras do jogo?”, perguntou ao grupo.

Para ela, a resposta é clara: “As regras definem o jogo.”

Mesmo com jogadores e bola, se as regras mudam, o jogo pode se tornar vôlei, basquete ou handebol. As regras determinam a dinâmica, os limites e as possibilidades de ação. Essa lógica se aplica também aos sistemas familiares, sociais e organizacionais.

Cornelia afirmou que todo sistema humano opera a partir de regras — muitas vezes implícitas ou inconscientes — que regem comportamentos, vínculos e pertencimentos.

“Essas regras podem se manifestar como crenças profundas, transmitidas ao longo de gerações. E mesmo quando não percebidas, continuam a estruturar os relacionamentos dentro do sistema”, destacou

Ao concluir sua explanação, Cornelia reforçou: “Não existe sistema sem regras do jogo.” A afirmação não apenas sintetizou seu pensamento, mas também convidou os participantes a refletir sobre os códigos invisíveis que moldam suas próprias experiências coletivas.

As regras invisíveis nos sistemas humanos

Diante da pergunta sobre a quem se referia — se aos seres humanos, aos animais ou à natureza — Cornelia Bonenkamp esclareceu que falava, naquele momento, especificamente dos sistemas humanos. Segundo ela, embora existam dinâmicas observáveis entre os animais, as interações humanas se organizam de maneira singular a partir de regras implícitas que operam como verdadeiras estruturas invisíveis.

“Entre seres humanos, realmente existem regras do jogo”, afirmou. Essas regras não costumam ser explícitas, mas exercem forte influência sobre pensamentos, comportamentos e decisões.

“Se não observamos as regras, elas nos movimentam de forma inconsciente”, disse.

Cornelia explicou que cada família, organização ou coletivo possui suas próprias regras — muitas vezes formadas por crenças enraizadas ou estruturas sociais consolidadas. Como exemplo, citou o sistema político.

“Quase no mundo inteiro, as pessoas falam mal dos políticos”, observou. No entanto, destacou que raramente se questiona o sistema em si — suas lógicas, estruturas e mecanismos.

Para ilustrar seu argumento, Cornelia propôs uma reflexão hipotética: “Imaginem se Lula fosse presidente dos Estados Unidos ou da Alemanha. Ele faria o mesmo que faz no Brasil?” A resposta, segundo ela, é negativa, porque os sistemas são diferentes, e cada sistema condiciona, consciente ou inconscientemente, a atuação dos indivíduos que o integram.

Isso vale para o campo educacional. “As pessoas criticam os professores, os pais, os alunos. Mas quase ninguém fala do sistema escolar”, afirmou. Segundo ela, o professor recebe uma tarefa que já carrega um modelo predeterminado: transmitir conteúdo a crianças de uma faixa etária específica e atribuir notas. Essa estrutura, por si só, gera tensões, independentemente da competência dos profissionais envolvidos.

Cornelia encerrou a reflexão ao ampliar o olhar sobre o funcionamento dos sistemas de poder. Em sua leitura, os sistemas operam como camadas hierárquicas de influência.

“Em muitos países, as populações criticam os políticos. Mas o político não é o topo da pirâmide”, alertou. Acima dele, situam-se a indústria e a mídia. E, no topo dessa cadeia de influência, estão os bancos.

Ao revelar essa estrutura, Cornelia apontou para a necessidade de enxergar os sistemas além das figuras visíveis.

As regras do jogo não se limitam aos papéis ocupados, mas definem as condições estruturais que moldam o comportamento coletivo. “Se existissem outras regras, tudo seria diferente”, concluiu.

O pensamento mecanicista e a ilusão do julgamento moral

Em novo momento de sua fala, Cornelia Bonenkamp abordou as estruturas invisíveis de poder e a necessidade de revisar os modelos de pensamento que condicionam as relações humanas.

Ela iniciou o raciocínio com um dado contundente: “3% da população detém quase 90% dos bens. São os bancos privados.” Segundo a especialista, enquanto a sociedade mantém seu foco em discursos contra figuras políticas, o verdadeiro controle sistêmico permanece fora do campo de visão — e, portanto, sem crítica efetiva.

Para Cornelia, o ponto central está na incapacidade de reconhecer as regras que regem esses jogos de poder.

“Importa muito observar as regras do jogo”, enfatizou. Ela alertou que todos fomos educados dentro de um paradigma linear e mecanicista, que se baseia na dicotomia entre certo e errado, bom e mau. Esse modelo, herdado da lógica das máquinas, é inadequado para compreender a complexidade dos sistemas vivos.

Cornelia exemplificou a limitação dessa visão com clareza: “Desmonte um carro em mil peças. Se cada peça for recolocada no lugar certo, o carro funcionará. Nesse caso, a lógica de certo e errado é válida.”

No entanto, ao aplicar esse raciocínio às relações humanas, surge o equívoco: “Não podemos desmontar um ser humano ou uma árvore em partes e remontá-los esperando o mesmo funcionamento.”

As interações humanas exigem outra forma de pensar — uma que reconheça a subjetividade, os vínculos afetivos e os padrões inconscientes transmitidos entre gerações.

“Na lógica do certo e errado, tentamos apenas encaixar os outros no nosso mundo”, afirmou. Essa postura impede o verdadeiro encontro com o outro e reduz o diálogo a um desejo de controle.

O pernil, a avó e a descoberta de um padrão familiar

Para ilustrar a necessidade de abrir espaço ao desconhecido, Cornelia apresentou uma narrativa simbólica. Conta-se que Maria, ao assar um pernil, deixa a porta do forno aberta. Diante da crítica que recebe por desperdiçar energia, ela se recusa a fechar a porta. Essa reação causa estranhamento, mas revela, ao ser investigada com abertura e escuta, um padrão familiar não consciente.

Ela narrou um fato: “Maria faz um pernil e deixa a porta aberta.
Ana: ‘Maria fecha a porta, desgaste de energia!’
Maria: ‘Não vou fechar a porta’.
E, desse jeito, ela é julgada de ruim em relação a esse assunto.
Ana, naquilo que falou, queria que Maria fizesse o que estava na mente dela.
E nem conectou verdadeiramente com Maria.
No pensamento sistêmico complexo, ausentamos certo e errado, bom e mal. Sempre têm perguntas.
Com as perguntas, nos conectamos com o outro.
Ana: ‘Maria, o que faz você não fechar o forno?’
Maria: ‘A minha mãe e minha avó nunca fecharam o forno, e desse jeito sai o pernil mais saboroso’.
Maria está provavelmente seguindo os padrões da família.
E o que a família esqueceu é que, antigamente, os fornos eram pequenos e não cabia um pernil.
E quando a avó compra um novo forno, esquece de fechar porta.
Quando isto está na consciência de Maria, provavelmente ela vai testar o que acontece quando se fecha a porta”.

A história aponta para um comportamento herdado que, embora aparentemente irracional, guarda uma lógica interna profunda. A tradição surgiu da limitação de espaço nos fornos antigos. Com o tempo, a origem se perdeu, mas o gesto se perpetuou.

Ao tomar consciência desse padrão, Maria pode optar por mantê-lo ou transformá-lo. Para Cornelia, esse é o papel do pensamento sistêmico: tornar visível o que opera no invisível. “Quando isso entra na consciência, surgem novas possibilidades”, pontuou.

Ao encerrar a reflexão, Cornelia reforçou a importância de abandonar o julgamento moral nas relações humanas: “Importa muito sair da lógica do certo e errado ao lidar com os outros.” Em vez de julgar, ela propõe perguntar. Em vez de concluir, convida a ouvir.

A prática sistêmica, segundo Cornelia, nasce do acolhimento do que é, não da imposição do que deveria ser. E é a partir desse campo de escuta, sensível e ampliada, que se torna possível transformar padrões cristalizados em consciência e escolha.

A permanência invisível dos padrões familiares

Ricardo Mendes compartilhou uma reflexão sobre padrões inconscientes e fidelidades invisíveis dentro dos sistemas familiares.

“Essa história do pernil é muito interessante, mas já vivi algo ainda mais simples”, afirmou. Ricardo relatou que, ao herdar a casa de seus pais após o falecimento deles, passou a ter liberdade total para reorganizar o espaço. Nada o impedia de mudar os móveis de lugar, vender objetos ou transformar os ambientes. No entanto, por um longo período, tudo permaneceu exatamente como era.

“Um dia me dei conta de que os móveis continuavam no mesmo lugar”, contou. A partir dessa constatação, surgiu a dúvida: gostava da disposição como estava ou apenas se acostumara a ela? A dificuldade em distinguir preferência pessoal de condicionamento revelou a força silenciosa dos vínculos e memórias transmitidos pelo espaço físico da casa.

Ricardo descreveu ainda o desconforto que sentiu ao perceber o impacto das sugestões feitas por sua esposa, quando ela passou a morar no mesmo espaço: “Ela dava ideias, mas eu me incomodava. Afinal, esse móvel sempre esteve ali.” A reação, embora aparentemente simples, revelou a profundidade das lealdades invisíveis aos padrões familiares.

Segundo ele, até gestos cotidianos carregam camadas de pertencimento e memória que muitas vezes não se reconhecem conscientemente. “Será que aquele era o lugar certo para o móvel, ou apenas o lugar ao qual eu me afeiçoei sem questionar?”

Sua fala reforçou uma das premissas centrais do pensamento sistêmico: a repetição de padrões não conscientes como forma de manter o vínculo com os que vieram antes. Ricardo Mendes apontou, com sensibilidade, como até escolhas triviais podem expressar fidelidade a sistemas familiares — mesmo quando não há mais necessidade prática de manter tais configurações.

O ser humano como sistema influenciado pelo contexto

Cornelia Bonenkamp desenvolveu uma nova reflexão a partir de uma pergunta central: como funciona o ser humano enquanto sistema? Para responder, ela propôs uma cena cotidiana. Uma criança cai na rua e começa a chorar. Três pessoas testemunham a mesma situação, mas cada uma interpreta de forma distinta: uma expressa tristeza, outra reclama do barulho, e uma terceira enxerga aquilo como parte natural do aprendizado. “A informação é a mesma para todos”, explicou Cornelia, “mas cada um processa com base em seus padrões e crenças inconscientes.”

Segundo a especialista, o sofrimento, os julgamentos ou a compaixão emergem menos do fato em si e mais da lente com que se observa a realidade. “Nosso racional justifica o que sentimos, mas ele não é a origem da decisão”, afirmou. Para ela, a mente consciente funciona, em mais de 80%, como um porta-voz de um governo que desconhece a origem das escolhas. Nesse cenário, o reconhecimento das limitações próprias e alheias torna-se essencial: “Somos diferentes, mas todos temos o mesmo valor como seres humanos.”

Cornelia destacou que o que nos diferencia não é a genética, mas o contexto. “Uma criança criada em uma aldeia indígena, em uma favela ou em uma família de elite em Nova York se desenvolve de forma completamente diferente”, observou. Essa perspectiva se alinha à epigenética, campo de estudo que mostra como o ambiente molda a expressão genética.

Ela citou pesquisas do biólogo celular norte-americano Bruce Lipton, que identificou casos em que mulheres adotaram meninas que, anos depois, desenvolveram câncer de mama como elas próprias — mesmo sem relação genética com as mães adotivas, enquanto as mães biológicas nunca tiveram câncer de mama: “O contexto é determinante. Ele nos torna confiantes ou inseguros, agressivos ou receptivos.”

A complexidade, segundo Cornelia, exige que, ao observarmos um sistema, perguntemos: quais são as regras do jogo? E que outros sistemas têm influência nisto? Essa atitude investigativa permite compreender os padrões invisíveis que organizam as relações.

Ao retomar a fala de Ricardo Mendes sobre os móveis mantidos no lugar pelos hábitos familiares, ela reforçou: “Cada um é diferente. Cada um tem desejos distintos. E ninguém tem as mesmas necessidades que o outro.”

O reconhecimento dessas diferenças deve conduzir ao diálogo respeitoso e à negociação: “Importa perguntar qual é o seu desejo e qual é o meu. E, a partir disso, buscar caminhos possíveis para ambos.” Um exemplo sugerido por ela: manter os móveis de um jeito por um mês, e depois, de outro. O importante é que ambos se sintam vistos e respeitados.

Cornelia compartilhou, ainda, três conselhos dados por um empresário judeu de Nova York sobre como manter um casamento saudável. Primeiro: colocar o casamento em primeiro lugar e não os filhos. Segundo: reservar um tempo semanal exclusivo para o casal — alternando atividades desejadas por cada um. Terceiro: encerrar o dia com um gesto de conexão, como um beijo, não como formalidade, mas como afirmação do vínculo: “Esse beijo não diz ‘tudo bem’. Diz ‘somos juntos’”.

Ela reforçou a importância de reconhecer as próprias limitações, desejos e imperfeições — sem julgamento — e de abrir espaço para o outro expressar os seus: “Quando nos abrimos ao outro com clareza sobre o que queremos e não queremos, podemos construir algo em conjunto. Sem julgamento, mas com respeito.”

A convivência com os limites do outro como prática de respeito

Após a reflexão da convidada especial Cornelia Bonenkamp sobre convivência, desejos individuais e acordos nas relações humanas, o vice-presidente do CECS, Ricardo Mendes, acrescentou uma lembrança atribuída a Bert Hellinger, criador das Constelações Familiares.

Segundo ele, Hellinger também oferecia uma sugestão simbólica para casais que desejam cultivar vínculos mais saudáveis.

“Hellinger dizia que cada pessoa em uma relação deveria ter direito a cinco pecados”, contou Ricardo. A proposta consistia em que cada parceiro listasse cinco comportamentos considerados “imperfeições” e entregasse ao outro. Nenhuma das partes poderia julgar, criticar ou tentar modificar o que estivesse na lista recebida.

“Essa troca criava um espaço de aceitação dentro da relação”, afirmou. O exercício, embora simples, propunha um deslocamento da exigência de correção para a prática do respeito. Ao reconhecer que o outro possui aspectos que não se alinham com expectativas pessoais — e que, mesmo assim, merece espaço — instala-se uma convivência mais realista e menos idealizada.

Segundo Ricardo Mendes, são “dicas valiosas”, que contribuem para a construção de relações mais autênticas, baseadas na escuta, na autonomia e na aceitação mútua.

A visualização como ferramenta para ampliar a consciência

Em mais um desdobramento de sua fala, a especialista internacional Cornelia Bonenkamp abordou o papel das visualizações e das Constelações como recursos estratégicos para gerar consciência. Para ela, compreender o funcionamento dos sistemas exige mais do que racionalidade: exige clareza profunda, capaz de acessar níveis inconscientes do comportamento humano.

“O que queremos com a visualização Constelação? Ter maior clareza”, afirmou. Cornelia destacou que cerca de 90% das ações humanas são movidas por conteúdos inconscientes.

Nesse cenário, tornar-se consciente de padrões ocultos é fundamental para transformar dinâmicas repetitivas, tanto no âmbito pessoal quanto organizacional.

Segundo ela, a Constelação, quando bem aplicada, permite acessar rapidamente essas camadas profundas e, com isso, revelar informações que escapam à lógica linear. “Importa muito a consciência. E a ferramenta da visualização possibilita isso em um tempo muito curto”, explicou.

Cornelia reforçou que qualquer sistema — seja familiar, institucional ou empresarial — opera com base em estruturas culturais que, na prática, funcionam como regras do jogo. (E, muitas vezes, além disso têm acontecimentos no campo informacional do sistema que inconscientemente estão captados e se movimentam). Essas regras moldam comportamentos, vínculos e decisões, muitas vezes de maneira inconsciente.

Para ilustrar esse raciocínio, ela lançou uma pergunta ao grupo: “Faz sentido para vocês que é muito importante ter maior clareza sobre o que é sistema, incluindo as regras do jogo ou crenças?”

Ela ressaltou que, ao reconhecer que toda relação carrega uma cultura própria, torna-se possível compreender por que determinados padrões se mantêm. E mais: porque, sem essa consciência, não se consegue observar com nitidez o todo. “Gerar consciência faz diferença em grau”, ponderou.

Heranças invisíveis e o despertar da consciência transgeracional

A atriz, escritora e diretora de Comunicação do CECS, Ingra Lyberato, trouxe uma intervenção sensível ao dialogar com a fala de Cornelia Bonenkamp sobre desejos, necessidades e padrões herdados. A partir de sua própria trajetória, compartilhou uma descoberta pessoal relacionada à herança transgeracional da arte em sua família.

“Eu achava que tinha dado um passo inédito ao me tornar atriz”, afirmou. Com o tempo, porém, começou a perceber que esse movimento criativo não surgira do nada. “A ficha começou a cair quando liguei os pontos com minha avó”, contou. Dona de casa, costureira e inventora de personagens, a avó se transformava diante dos netos: colocava bigode, usava barba postiça, engrossava a voz, criava histórias: “Ela encenava dentro de casa, talvez sem se dar conta de que também fazia arte.”

Ingra mencionou que sua mãe deu continuidade a esse impulso criativo ao se casar com um artista, o que gerou mais experiências e significados. “Durante muito tempo, me vi como desbravadora”, disse. No entanto, passou a reconhecer que o caminho artístico que trilhou talvez estivesse enraizado em desejos que já pulsavam nas gerações anteriores.

A reflexão de Ingra se concentrou na possibilidade de que certos desejos pessoais não sejam inteiramente autônomos, mas frutos de movimentos iniciados por antepassados.

“Às vezes, o desejo que sinto como meu talvez seja, na verdade, o desejo de uma outra geração que passou a viver por intermédio de mim”, observou.

Ela destacou que o surgimento dessa consciência não representou um peso, mas uma libertação: “Perceber isso começou a gerar um distanciamento saudável. Consigo olhar essa herança com mais clareza e maturidade.”

A diferença entre o silêncio e a verdade no campo sistêmico

Em resposta à reflexão feita por Ingra Lyberato sobre os desejos herdados e a consciência que emerge das gerações anteriores, Cornelia Bonenkamp compartilhou uma narrativa simbólica para ilustrar o impacto que a verdade — ou sua ausência — pode ter sobre os sistemas familiares.

“Vou dar um exemplo”, anunciou. Ela descreveu duas pequenas propriedades rurais vizinhas, onde moravam duas famílias: a de João e a de Pedro. Em um primeiro cenário, Pedro volta para casa em silêncio. Carrega um peso visível, mas sem revelar o motivo.

Pouco depois, a família descobre que João havia sido agredido e morreu. A ausência de fala, segundo Cornelia, cria uma densidade no campo familiar. O silêncio gera culpa e, com o tempo, pode influenciar descendentes a repetirem padrões semelhantes — seja como autores, seja como vítimas.

No segundo cenário, Pedro volta para casa e comunica à família o ocorrido. Conta que João o agrediu, que reagiu com um pedaço de madeira e acredita tê-lo matado. Decide ir até a casa da viúva, Elisa, e relata tudo com franqueza. Ela, dentro da fala de João, reconheceu a corresponsabilidade do marido dela. João Assume a responsabilidade pelo que aconteceu, expressa arrependimento e oferece ajuda para cuidar das crianças. “Essa fala, esse reconhecimento, libera o campo. Problemas reconhecidos e tratados deixam de ser repetidos”, afirmou.

Cornelia destacou que, no trabalho sistêmico, a Constelação e a visualização são ferramentas eficazes para trazer à tona cargas ocultas no sistema familiar: “Importa muito olhar para o nosso bem-estar interno. Importa reconhecer os pesos que, muitas vezes, carregamos sem saber.”

Segundo ela, a libertação começa com o reconhecimento amoroso daquilo que foi herdado: “Mesmo no sofrimento, amor é conexão. Quando posso reconhecer o que carrego, agradecer e dizer que isso não começou em mim, mas veio do passado, consigo deixar no passado. E, assim, fico livre para aprender algo novo.”

Esse processo, no entanto, não se encerra na consciência. Cornelia reforçou a importância de criar padrões de ação: “Precisamos aprender novos caminhos até que se tornem automáticos. O ser humano funciona no automatismo. E é preciso substituir padrões antigos por outros mais saudáveis, sem julgamento.”

A criação de novos contextos como caminho para a liberdade interior

A psicóloga Yolanda Freire, diretora de Fundamentos e Estruturação Teórica das Constelações do CECS, trouxe uma contribuição à discussão ao abordar a relação entre consciência, visualização e criação de novos contextos. Sua fala dialogou diretamente com os relatos de Ingra Lyberato e as reflexões de Cornelia Bonenkamp ao ampliar o campo da escuta para o papel ativo do indivíduo na transformação dos próprios padrões.

“A visualização e a ampliação da consciência não apenas revelam o que está oculto, mas também abrem caminho para um novo compromisso com a própria vida”, afirmou. Segundo Yolanda, criar contextos não é apenas uma metáfora terapêutica, mas uma prática concreta, que exige presença, decisão e alinhamento com os próprios dons e talentos.

Ela destacou que o contexto originário, ou seja, o sistema familiar de origem, muitas vezes condiciona não apenas os vínculos afetivos, mas também a forma como o indivíduo lida com suas potencialidades. “Esse contexto pode nos impor até mesmo a maneira de viver os nossos dons”, observou.

Yolanda também refletiu sobre o papel do facilitador ou terapeuta dentro do processo sistêmico. Para ela, quem atua nesse campo não conduz apenas uma intervenção, mas faz um convite à criação de um novo contexto interno. “Esse convite precisa se consolidar, precisa ganhar espaço na vida da pessoa para que se torne realidade”, afirmou.

Ela ressaltou a importância de perguntas direcionadoras que sustentam esse processo: “Qual é o resultado desejado de uma Constelação? Como você se vê após essa experiência? O que você busca aqui?” Segundo Yolanda, essas perguntas não têm apenas valor reflexivo, mas atuam como âncoras na construção de um novo caminho.

Ao finalizar a intervenção, destacou que esse novo contexto precisa estar em ressonância com os dons pessoais, com o que ela chamou de espaço adiante: “Escuto essa possibilidade como uma liberdade. A liberdade de incluir novos contextos que estejam mais afinados com aquilo que realmente somos.”

Entre o caminho herdado e o chamado da transformação

Ingra Lyberato, retomou a palavra para compartilhar uma nova camada de sua vivência pessoal. Ao refletir sobre a interseção entre herança familiar e escolha consciente, revelou um sentimento de ambivalência — não como conflito, mas como coexistência de trajetórias.

“Me sinto bem com os dois caminhos”, afirmou. De um lado, reconhece o percurso herdado, marcado pela expressão artística. De outro, o envolvimento atual com as terapias sistêmicas, que, segundo ela, têm trazido maior sentido e profundidade à sua experiência de vida: “É a sensação que tenho hoje. As terapias despertam mais interesse.”

Ao mencionar a carreira de atriz, Ingra relatou ter vivido recentemente uma experiência intensa, que evocou memórias do passado e provocou desconforto: “Veio muita coisa à tona, e nem sei se tudo aquilo me pertence. Foi desafiador.” A fala revelou o quanto certos contextos podem ativar conteúdos transgeracionais que permanecem em elaboração.

Ela concluiu ao reconhecer que o processo ainda está em andamento: “Não sei exatamente o que está se passando, mas é algo que está se desenvolvendo agora.” Sua observação reafirma um dos princípios do pensamento sistêmico: a consciência se constrói em camadas, e o autoconhecimento não se dá em rupturas absolutas, mas em movimentos graduais de integração.

A demanda aparente como ponta do iceberg sistêmico

Ricardo Mendes, trouxe uma imagem poderosa para expressar a compreensão do trabalho terapêutico dentro da abordagem sistêmica. Em diálogo com Cornelia Bonenkamp, reconheceu o impacto de suas reflexões e destacou a profundidade que se revela quando se vai além da narrativa inicial do cliente.

“Tudo o que você, Cornelia, fala é muito interessante. Dá vontade de continuar conversando sem parar”, disse, antes de compartilhar sua própria percepção sobre o processo de escuta terapêutica. Para ele, o tema que o cliente traz como queixa ou conflito raramente é o mais importante. “Enxergo essa questão como a ponta do iceberg”, afirmou.

Segundo Ricardo, o objetivo não é resolver diretamente o conflito declarado, mas investigar o que levou a pessoa até aquele ponto. “Cada um de nós tem dificuldades em áreas diferentes. E isso tem uma origem”, pontuou. O foco do trabalho está em ampliar a visão do cliente para que ele compreenda o campo mais amplo que sustenta sua vivência atual.

Ricardo ressaltou que a função do facilitador sistêmico não é pacificar relações externas de forma imediata, mas abrir espaço para uma compreensão mais profunda de si. “Não estou ali para ajudar a pessoa a fazer as pazes com alguém. Estou para ajudá-la a entender o que a trouxe até esse impasse”, explicou.

Essa mudança de perspectiva permite que o cliente perceba que o conflito atual não se limita ao presente nem à relação aparente, mas integra um sistema mais amplo de influências, repetições e lealdades invisíveis.

O essencial: estar bem consigo e com a vida

Em resposta à reflexão de Ricardo Mendes, Cornelia Bonenkamp reforçou a importância de olhar além da narrativa evidente. Para ela, a maioria das dificuldades trazidas para o campo terapêutico esconde uma desconexão mais profunda: a dificuldade de estar em paz consigo mesmo e com a própria existência.

“Quando ouço uma questão — seja de um líder, seja de qualquer pessoa — a primeira coisa que faço é sentir qual é, de fato, a questão central”, afirmou. Na maioria dos casos, Cornelia identifica que a raiz está na ausência de um vínculo saudável com o próprio eu e com a vida. A partir disso, propõe um deslocamento do foco externo para um olhar interno: “Vamos observar como está sua relação com você mesmo? Como está sua relação com a vida?”

Segundo Cornelia, esse movimento interior é o ponto de partida para qualquer processo de mudança real. Ao alcançar clareza sobre si, o cliente pode reconhecer os pesos que carrega, deixar no passado o que já não lhe pertence e, com isso, criar espaço para um novo estado de presença.

“Esse é o essencial”, declarou. Para que esse novo estado se consolide, ela recomenda um compromisso prático: manter por 30 dias uma atitude coerente com o novo olhar que emerge. “Com clareza, vem a liberdade. E, com liberdade, nasce a possibilidade de praticar um novo caminho”, disse.

O obstáculo como mestre no caminho de crescimento

Ricardo Mendes complementou a reflexão anterior com um olhar sobre a forma como os desafios se apresentam no percurso de quem busca autoconhecimento. Em diálogo com Cornelia Bonenkamp, destacou a importância de reinterpretar o papel dos aparentes “obstáculos” que surgem nas relações ou nas experiências de vida.

É bonito ajudar o cliente a olhar para aquele que aparece como uma dificuldade e perceber que, na verdade, essa pessoa está a serviço do seu crescimento, ponderou. Segundo ele, quando o cliente reconhece que o outro — mesmo quando incômodo ou desafiador — cumpre uma função dentro do processo evolutivo, um novo campo de percepção se abre.

Ricardo propôs uma mudança de postura: sair do julgamento e entrar na gratidão. “Ele pode agradecer a esse que, aparentemente, é um obstáculo, mas que, de fato, se dispõe a ajudá-lo a dar passos novos”, argumentou. Segundo avalia, esse reconhecimento transforma o vínculo e oferece ao cliente a possibilidade de integrar a experiência com mais lucidez e menos resistência: “É muito bonito isso.”

Dando sequência ao diálogo sobre obstáculos e desafios, Cornelia Bonenkamp abordou a tendência humana de rejeitar os problemas e alertou para as consequências desse movimento de exclusão. “Ninguém quer problemas. Queremos excluí-los. Mas, pela natureza, o que excluímos, atraímos”, afirmou.

Para ela, o problema, ao contrário do que se imagina, é um elemento necessário e estruturante na trajetória do ser humano.

“Qualquer problema é perfeito”, declarou. Cornelia recorreu a uma metáfora simples e eficaz para ilustrar a ideia: o preparo de um bolo com ingredientes mal escolhidos e processo mal executado. O resultado, naturalmente, não será bom. Ainda assim, é coerente com os elementos utilizados.

“Não podia ser diferente”, disse. “Da mesma forma, qualquer problema nosso é o resultado perfeito dos ingredientes internos e contextuais que estão presentes”, refletiu.

Cornelia defendeu que, ao invés de negar o problema ou tentar escondê-lo, o essencial é acolhê-lo: “Importa abraçar o problema e explorar seus ingredientes. Com consciência, podemos trocar elementos e produzir novos resultados.”

Segundo ela, o problema é sempre um convite ao despertar: “Ninguém cresce na zona de conforto. O problema nos acorda. Se o escondemos, ele volta — com outra forma, mas com a mesma função.”

Para interromper o ciclo de repetição, é preciso enfrentar a dificuldade de frente, agradecer sua presença e perguntar: “O que posso aprender com você?”

A partir desse gesto, o padrão se dissolve: “Quando o problema é acolhido e compreendido, nunca volta do mesmo jeito.”

A fala de Cornelia consolidou a visão sistêmica de que o desconforto não é um erro do percurso, mas um sinal vital de que algo precisa ser visto, integrado e transformado.

Abertura para a prática e o convite à escuta do corpo

Encerrando esse momento de exposição, Cornelia convidou o grupo para um exercício de conexão com o bem-estar interno — prática que considera essencial tanto para terapeutas quanto para líderes.

“Se eu carrego, inconscientemente, a ideia de que tudo o que faço está errado, atrairei críticas em todos os âmbitos da vida”, explicou. O reconhecimento desses padrões internos é, para ela, condição básica para qualquer transformação consistente.

Com delicadeza, lançou ao grupo a proposta: “Alguém quer que exploremos a relação com o bem-estar interno, para mostrar como faço? Mas, para isso, alguém precisa dizer: quero explorar.”

Ingra Lyberato, se dispôs a participar da prática e aceitou o convite da especialista. Com esse gesto, o grupo seguiu para a experiência vivencial, a fim de aprofundar o campo de escuta e conexão, agora não apenas conceitual, mas integrada ao corpo, à emoção e à presença.

A Constelação Organizacional como ferramenta estratégica de consciência

Após conduzir a experiência vivencial com Ingra Lyberato sobre bem-estar interno, Cornelia Bonenkamp retomou a palavra para apresentar, de forma concisa, os fundamentos de seu trabalho no campo das Constelações Organizacionais.

Com mais de 15 anos de atuação nessa área, ela é reconhecida internacionalmente pelo Infosyon, associação alemã de referência em Constelações Organizacionais, da qual é trainer com currículo verificado.

Cornelia relatou a recente participação em um encontro de cinco dias na Universidade de Bremen, na Alemanha, voltado exclusivamente à abordagem sistêmica no contexto organizacional. “Para mim, é uma ferramenta poderosa”, afirmou.

No entanto, alertou que sua aplicação exige compreensão profunda do funcionamento das empresas e do comportamento humano, sempre com base no pensamento sistêmico complexo.

Segundo Cornelia, a Constelação Organizacional oferece uma vantagem importante em relação a métodos tradicionais de diagnóstico e aconselhamento. “Podemos explorar, em duas ou três horas, uma dificuldade real dentro da empresa e gerar consciência a partir dela”, explicou.

Em contraste, ela observou que abordagens convencionais, como o coaching baseado apenas em perguntas e escuta linear, muitas vezes consomem tempo excessivo e oferecem menos precisão.

Ao trabalhar com visualizações sistêmicas, Cornelia propõe uma ampliação imediata do campo de percepção. A partir da representação de dinâmicas ocultas, líderes e gestores conseguem reconhecer padrões invisíveis, identificar bloqueios e, sobretudo, acessar novos caminhos de decisão com mais clareza.

“O essencial é ampliar a visão para que o líder, ao tomar consciência da situação, saiba qual é o próximo passo”, observou.

Com essa fala, Cornelia reforçou o valor estratégico da Constelação Organizacional como instrumento de diagnóstico profundo, capaz de alinhar pessoas, processos e estruturas dentro de sistemas corporativos vivos e interdependentes.

Nova proposta de aprofundamento no campo organizacional

Diante da relevância e da potência do tema, Ricardo Mendes propôs a continuidade do debate em um novo encontro. A iniciativa foi acolhida com entusiasmo pelos participantes e sinalizou o interesse coletivo em aprofundar os desdobramentos teóricos e práticos das Constelações Organizacionais no contexto contemporâneo.

A influência do propósito do líder nas dinâmicas organizacionais

Antes do encerramento do encontro, a mediadora Rosângela Ferreira propôs à convidada especial Cornelia Bonenkamp uma síntese das reflexões apresentadas em seu recente compromisso na Universidade de Bremen, na Alemanha, voltado ao tema das Constelações Organizacionais.

Cornelia aceitou o convite e compartilhou os principais pontos debatidos no evento. Ela enfatizou a importância de se observar o papel do propósito no campo organizacional: “Explorar a situação é o primeiro passo. E, em uma empresa, quem dá o propósito, quem define o sentido, é o dono. Isso precisa estar claro.”

Quatro perfis de empresários e seus impactos nos sistemas

Com base em sua longa experiência no campo organizacional, Cornelia apresentou quatro perfis típicos de empresários, cada um com implicações distintas nas dinâmicas sistêmicas da empresa.

O primeiro perfil é o do empresário sobrecarregado, que acumula tarefas, aponta problemas constantes e tenta resolver tudo sozinho: “Esse empresário (problemas na personalidade dele) atrai conflitos, tanto nos colaboradores quanto nos clientes, porque carrega internamente a sensação de estar só.”

O segundo tipo é o empresário movido por interesses pessoais. Seu negócio existe apenas como meio de sustento ou de conquista de bens: “Ele busca status, segurança financeira e prestígio. Não há julgamento. É um padrão antigo. Mas esse foco gera também egocentrismo nos colaboradores e desconexão, o que costuma refletir em alta rotatividade e ausência de pertencimento.”

O terceiro perfil é o do empreendedor que ama o que faz e tem como objetivo servir bem: “Ele sabe que precisa de uma equipe e valoriza o trabalho conjunto. Esse é o início de uma estrutura colaborativa. Cada um se sente importante, necessário.”

O quarto perfil é uma evolução do anterior. Além de prezar pela colaboração e pela qualidade, pensa na sustentabilidade e no bem-estar coletivo: “É aquele que escolhe oferecer apenas alimentos que contribuam para a longevidade. O propósito transcende o individual e se alinha a um impacto social positivo.”

Cornelia alertou que, a partir de maio, entra em vigor no Brasil uma nova legislação que exige mais clareza e responsabilidade social das empresas. Nesse cenário, conhecer e assumir o propósito institucional torna-se ainda mais essencial.

“Observar o propósito é um passo. Não é tudo, mas já abre um campo importante de consciência. Porque, se eu ignoro o propósito do lugar onde estou, ele me movimenta inconscientemente”, explicou. Segundo ela, essa desconexão pode gerar comportamentos incoerentes: “Um mesmo diretor de marketing, em uma empresa, se sente travado; em outra, floresce. A diferença está no contexto.”

Para a especialista, a Constelação Organizacional não oferece respostas prontas, mas revela o que está oculto: “É uma ferramenta de investigação. Não resolve, mas amplia a consciência. E com essa consciência, os líderes começam a enxergar aquilo que antes passava despercebido — e é aí que começam a fazer a diferença.”

Cornelia finalizou ao mencionar que compartilha reflexões sobre esses temas também em sua página no LinkedIn, onde continua a ampliar os diálogos sobre consciência organizacional e transformação sistêmica.

Agradecimento e celebração pelo encerramento do ciclo anual

A educadora e terapeuta Selma Horta expressou um agradecimento emocionado pela trajetória vivida ao longo do ano e pela qualidade da contribuição oferecida pela convidada especial Cornelia Bonenkamp.

“Quero agradecer profundamente por este encerramento de ano tão enriquecedor, proporcionado pela proposta do CECS e, hoje, de forma ainda mais especial, pela presença da Cornelia, cuja contribuição foi riquíssima”, afirmou.

Selma destacou o impacto pessoal da convivência com a especialista ao longo de 2025. “Meu coração transborda de alegria por ter tido você tão próxima neste ano. Isso me fez crescer muito. Sou muito grata ao CECS, especialmente a você, Cornelia, e à Yolanda e à Miriam, com quem estive mais próxima. Sinto-me feliz e engrandecida com a presença de vocês.”

Ao se despedir, desejou boas festas e fez votos para o futuro da instituição: “Que a próxima gestão seja igualmente rica em conteúdo e composta por mentes tão generosas e comprometidas com uma contribuição tão graciosa e transformadora”.

A congruência entre pensamento e sentimento como base para a ação eficaz

Antes do encerramento, Cornelia Bonenkamp fez uma última observação de caráter essencial. De forma direta, destacou a importância da coerência entre pensamento e emoção nos processos individuais e coletivos.

“Existe um ponto que considero absolutamente central: a congruência entre o que se pensa e o que se sente”, afirmou. Para a especialista, sem esse alinhamento interno, os esforços tendem ao fracasso ou à repetição de padrões disfuncionais: “Se há dúvida ou desalinhamento entre pensamento e sentimento, nada acontece de forma verdadeira. Surgem conflitos, bloqueios, repetição de problemas.”

Cornelia concluiu a fala ao reforçar que a congruência interna é o fundamento da motivação genuína e da ação eficaz: “Só com essa integração é possível alcançar mudanças reais e sustentáveis.”

Gratidão e compromisso com o legado de Bert Hellinger

O vice-presidente do CECS, Ricardo Mendes, expressou seu agradecimento à convidada especial Cornelia Bonenkamp, ao destacar a importância do encontro e o valor do caminho coletivo trilhado no campo das Constelações Sistêmicas.

“Quero agradecer profundamente por toda a sabedoria que você acumula e generosamente compartilha ao longo dos anos. É uma alegria estarmos aqui juntos, nutridos por esse conteúdo tão significativo”, afirmou.

Ricardo ressaltou que a coerência entre o sentir e o pensar é uma das bases do trabalho desenvolvido pela comunidade do CECS.

“Esse sentir, esse pensar — é isso que nos orienta. É por isso que estou aqui. Se não houvesse esse sentido profundo, não faria parte”, declarou.

Em tom de reconhecimento, enfatizou que todos os presentes compartilham dessa mesma clareza e propósito.

“Estamos aqui porque isso faz sentido. Caminhamos juntos diante das demandas que escolhemos acolher e do papel que desejamos exercer, em profunda gratidão a tudo o que Bert Hellinger nos trouxe e transformou em nossas vidas”, pontuou.

Na conclusão do encontro, a convidada especial Cornelia Bonenkamp expressou gratidão pela experiência compartilhada com o grupo e destacou a harmonia vivida durante o evento.

“Talvez vocês tenham percebido: estive totalmente em flow com vocês. Não gostaria de estar em nenhum outro lugar. Amei estar aqui, em conexão com todos”, afirmou.

Com sensibilidade, Cornelia reiterou a singularidade de cada indivíduo e de cada abordagem dentro do campo das Constelações: “Cada pessoa é única, cada um é diferente, e cada profissional trabalha com a ferramenta da visualização e com a relação familiar de forma distinta. E nenhum é melhor do que o outro.”

Ela finalizou com uma mensagem de união e colaboração: “Ao compartilhar, ao trocar, podemos crescer juntos.”

Encontro encerra o ano com partilha, propósito e convite ao futuro

A mediadora Rosângela Ferreira encerrou o último encontro do ano do CECS com uma mensagem de gratidão, reconhecimento e entusiasmo pelo caminho trilhado em comunidade.

“O CECS é vivo exatamente por esse espaço, por esse lugar onde todos podem construir juntos. Somos muito gratos pela presença de todos nesta noite e, em especial, à Cornelia Bonenkamp, que nos ofereceu, neste encerramento, uma reflexão profunda — tanto sobre o indivíduo quanto sobre o coletivo que estamos formando”, destacou.

Em sua fala, Rosângela ressaltou a importância de revisitar o propósito comum que une os participantes: “Esse foi um verdadeiro presente. Fechamos com chave de ouro este nosso último encontro do ano, sendo convidados a refletir sobre o propósito maior que nos move e a nos perguntar se estamos, de fato, conectados com ele.”

A mediadora também anunciou, com entusiasmo, os próximos passos do CECS: “Já temos data para nos reencontrarmos presencialmente. Vamos nos reunir nos dias 30 e 31 de janeiro de 2026, em São Paulo. Será uma oportunidade de nos vermos, nos abraçarmos e fortalecermos ainda mais os vínculos e o sentido dessa construção coletiva.”

Por fim, deixou um convite aberto e afetuoso aos associados: “Queremos receber todos que puderem estar conosco nesse encontro. Será um momento de retomada, de avaliação do caminho até aqui e de planejamento do futuro que queremos construir juntos.”

A encerrar o evento em tom de gratidão, Rosângela afirmou: “Ficamos com essa mensagem de partilha, generosidade e muito conhecimento compartilhado de forma amorosa. Gratidão a todos.”


A terceira edição do ‘CECS Constela’, promovida pelo Centro de Excelência em Constelações Sistêmicas (CECS), contou com a presença da especialista internacional Cornelia Bonenkamp para discutir o tema ‘Pensamento Sistêmico Complexo – Visualização e Constelações’: encontro reuniu profissionais da área em uma roda de conversa que combinou prática e reflexão conceitual


A especialista em Constelações Familiares e Organizacionais com 24 anos de experiência em pensamento sistêmico complexo Cornelia Bonenkamp, trainer certificada pelo Infosyon (Alemanha) e que atua com visualizações sistêmicas e formação de profissionais em diversos países: “Não existe sistema sem regras do jogo”


A historiadora, jornalista, psicanalista e diretora de eventos do CECS, Rosângela Ferreira, foi a mediadora do encontro: “Tudo está em movimento, tudo está em evolução”, e isso exige disposição constante para aprender com os pares, em processos coletivos que renovam a escuta, a percepção e a prática


Ricardo Mendes, vice-presidente e diretor de Relações Internacionais do CECS, arteterapeuta, docente em Constelações e práticas xamânicas, com abordagem transdisciplinar: “É uma visão que reconhece que cada um de nós é um componente de um todo muito maior. Influenciamos esse todo e somos guiados por ele”


A atriz, escritora e diretora de Comunicação do CECS Ingra Lyberato se prontificou a realizar uma experiência vivencial, a fim de aprofundar o campo de escuta e conexão, agora não apenas conceitual, mas integrada ao corpo, à emoção e à presença

Centro de Excelência em Constelações Sistêmicas (CECS) – Assessoria de Comunicação – Contato para informações e entrevistas: (62) 9-8271-3500 (WhatsApp)

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